Fora do mapa de risco, Catolé-Cardoso rachou devido à mineração da Braskem

A Defensoria Pública fez uma vistoria, nesta quinta-feira, 24/4, no sistema Catolé-Cardoso, que agora faz parte da Braskem, que indenizou a Casal.

Foram constatadas várias rachaduras por causa do problema da mineração.

A mesma situação encontrada em centenas de casas da região.

E a Defensoria quer saber por que as famílias não foram indenizadas.

Durante a vistoria, a Defensoria Pública de Alagoas identificou várias rachaduras na estrutura do sistema Catolé-Cardoso, que passou a ser controlado pela Braskem, em uma acordo milionário com a Casal.

“O sistema Cardoso-Catolé tá tudo rachado. Todos os tanques aqui estão com rachaduras, com emendas, com intervenções já da própria Braskem pra não ruir de vez. Ele só não foi interditado completamente, senão cerca de 15 a 20% da cidade ficaria desabastecida” explica o defensor Ricardo Melro.

O sistema de abastecimento de água foi repassado para Braskem por quase 109 milhões de reais como indenização pelo afundamento do solo provocado pelas atividades de mineração ao longo de quatro décadas em Maceió e que afetou a estação de tratamento de água aqui no bairro do Bebedouro. Segundo a defensoria pública, o que chama atenção nesse acordo é que o prédio está fora do mapa de risco. Ainda assim, foi indenizado.

A situação é semelhante com outros imóveis que estão na borda do mapa de risco. Eles também apresentam rachaduras, mas os moradores não foram indenizados porque a defesa civil municipal não reconhece o problema.

De acordo com o contrato obtido pelo Jornal Extra, do valor total, pouco mais de 86 milhões de reais correspondem à reparação integral e suficiente pelos danos causados ao sistema Catolé-Cardoso. E indenização de quase 23 milhões de reais pelos imóveis, equipamentos, redes de abastecimento de água, coletora de esgoto e adutoras.

Em outro trecho do documento, a Casal se compromete em não alegar danos ou prejuízos futuros com afundamento do solo na rede de abastecimento e isenta a Braskem de pagar complementos de indenizações.

Mesmo com pagamento, a petroquímica não reconhece responsabilidade civil, criminal e administrativa pelo fenômeno geológico na capital.

O sistema Catolé-Cardoso, que fica em Maceió e Satuba, foi inaugurado em 1952 e durante décadas foi o principal responsável pelo abastecimento de água potável na capital. Hoje, atende mais de 250 mil pessoas.

Com informações da TV Gazeta

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