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Fonte de renda: bolsonarismo

O bolsonarismo já é caso perdido. Virou meio de vida, fonte de renda e canal que agrega, não importa quem ou como. Tornou-se fundamental para a existência de muitos. Portanto, a vida pede arte e na arte do viver as sementes da civilidade amorosa poderão ser espalhadas pelas vias onde passares, quando passarmos; enquanto ainda estivermos por aqui.

Não há como conter o ritmo de trem-bala do zapzap. Não há como conter a efervescência de quem se sentia ninguém e agora grita louvores em coro, sem filtro, sem ética, sem sensibilidade, na embriaguez fanática da busca pelo deus da punição/salvação que odeia esquerdistas, mulheres, feministas, homoafetividades e dissidentes ideológicos do presidente, no geral.

A crônica da vida urbana não pede criações, ela se mostra despudoradamente nos espaços por onde circula a gente comum, a massa que elege aos borbotões aqueles que o bom senso não elegeria, mas esse argumento escasso não pontua nas pesquisas.

Maceió, bairro da parte alta, ônibus lotado rumo ao centro da cidade.

Pela porta de trás entra o vulto que se transforma em h0mem com uma bíblia na boca. A princípio o susto, depois o espanto maior com seu vozeirão agressivo determinando a derrocada infernal dos pecadores. Salivava, esbaforido, em estranhos esgares de desequilíbrio.  O público olhou.

Ao se perceber no centro, chamou para si as benesses dos escolhidos, os galardões abrâmicos, a herança dos obedientes e a alegria que espera aquele que  não luta contra a vontade de um deus proibidor de atos políticos civilizatórios e liberador de torturas.

As velhinhas levantaram as mãos primeiro e os gritos de glória ribombaram no veículo velho e roncador.

Em instantes o louco virou profeta, e agora os velhinhos o cercavam, enquanto as mulheres jovens louvavam e glorificavam, transformando o espaço em uma igreja ambulante, indialogável.

Gritos de louvor e garantias de vitórias familiares costuravam o ufanismo religioso, estimulando um povo que está mais pobre, mais desempregado, mais enlutado, mais infeliz, a unificar uma identidade na forma mais violenta de fé que os tempos atuais contemplam.

O bolsonarismo gera pastores a esmo, nas ruas e nos ônibus, catando ovelhas para o reduto do conservadorismo analfabeto e manipulável. A céu aberto, sob o sufocante caso de uma manhã sem vento, quando a chuva anunciava raios e trovões na cidade desiludida.

Rumo aos rincões internos, vislumbro no interior alarmantes projetos de empresas fundamentalistas que somente contratam irmãos de crença e o imiscuir de líderes religiosistas nos cargos, nas indicações, nos arrumados passos para a manutenção do poder político e econômico nas mãos dos abençoados herdeiros de Abraão.

A fome de tudo conduzindo pedintes. As portas largas da fé proclamando a extinção dos diabos esquerdistas e toda corja de defensores dos Direitos Humanos.

O grito de glória, a mão estendida, o fim da razão e o enterro do amor ao próximo, resumem as alegrias esparsas destas vidas que elegem aos borbotões aqueles que seus líderes mandam eleger.

Abre o leque da fé e encontrará de xamãs a espíritas navegando nas marés liberalistas, abençoando os ricos, os vitalícios, os que estão lucrando sobre a miséria de tantos com o orgulho de pertencer aos clãs bolsonaristas.

As ruas seguem tão importantes quanto as redes sociais para os que desejem participar do momento político.

A boa luta nos chama.

A chama da vida necessita dessa luta.

 

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