Na tentativa de consolidar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mergulhou em um roteiro que evoca, passo a passo, a estratégia utilizada pelo pai em 2018.
O parlamentar, escolhido oficialmente por Jair Bolsonaro como seu sucessor em dezembro de 2025, tem apostado em uma agenda internacional agressiva e em acenos diretos ao mercado financeiro para tentar viabilizar seu nome como o principal rosto da direita na disputa de outubro.
Seguindo a cartilha do “caminho das pedras” percorrido pelo pai há oito anos, Flávio concentrou esforços em viagens estratégicas ao exterior.
No Bahrein, reuniu-se com o príncipe herdeiro Sheikh Salman bin Hamad; em Israel, encontrou-se com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aproveitando o palco internacional para subir o tom contra o atual governo brasileiro.
“O discurso de Lula e da esquerda é de ódio contra os judeus”, disparou o senador em território israelense, reforçando a polarização ideológica que é marca registrada de sua base. A turnê incluiu ainda passagens pelos Estados Unidos, repetindo as visitas a redutos conservadores de brasileiros na Flórida e em Massachusetts.
Internamente, a movimentação de Flávio mira acalmar o “estômago” do mercado. Durante encontros recentes com empresários e representantes do setor financeiro, o senador anunciou que pretende repetir a tática de indicar seus futuros ministros ainda durante a campanha.
O foco principal é a Fazenda: Flávio afirmou estar em busca de um nome que siga rigorosamente a linha de Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” da gestão anterior, na tentativa de garantir a confiança de investidores que ainda veem com cautela a viabilidade de sua candidatura.
Além da economia, o figurino de candidato é completado por visitas constantes a templos religiosos e discursos inflamados sobre valores conservadores.
Ao mimetizar os gestos, as alianças internacionais e até as promessas ministeriais do pai, Flávio tenta provar que não é apenas o herdeiro do sobrenome, mas o guardião do método que levou o bolsonarismo ao poder.
O desafio agora é converter a nostalgia dos aliados em votos suficientes para enfrentar o favoritismo de Lula, em um cenário que o Congresso ainda observa com ceticismo.
*Com Agências
