Flávio Bolsonaro ignora crise e mantém agendas de pré-campanha

O núcleo de articulação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) traçou uma estratégia ofensiva para minimizar os impactos das conversas vazadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pelo The Intercept.

A avaliação interna é de que o episódio configura um “vazamento seletivo” e, para evitar que o parlamentar transpareça fragilidade, a orientação é manter o ritmo das agendas públicas.

Após reuniões de emergência no quartel-general em Brasília nesta quinta-feira (14), o senador planeja cumprir compromissos no Rio de Janeiro e em São Paulo, buscando imprimir uma imagem de normalidade no processo eleitoral.

A defesa técnica e política do senador sustenta que não houve ilicitude nos diálogos.

Em vídeo gravado para conter o desgaste, Flávio justificou que a cobrança de valores a Vorcaro ocorreu em âmbito privado, visando o financiamento de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, produzido com recursos não públicos.

Aliados reforçam que, na época das conversas, Vorcaro era um banqueiro respeitado e o ex-presidente já não ocupava o cargo, o que justificaria o trânsito político entre as partes.

A aposta do grupo é de que o longo prazo até o pleito, daqui a cinco meses, seja suficiente para que o tema perca força na opinião pública.

Apesar da postura pública de confiança, o clima nos bastidores é de desconforto devido à falta de transparência do senador com sua própria equipe.

Aliados próximos confidenciaram que a omissão sobre a existência das conversas impediu a preparação de uma estratégia prévia, forçando uma reação improvisada diante da surpresa da denúncia.

Para reverter o cenário de “acuado”, a nova tática de Flávio inclui o apoio público a investigações sobre o Banco Master, incluindo a defesa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional, visando desviar o foco de sua conduta pessoal para possíveis irregularidades da instituição financeira.

No Congresso, o movimento em direção a uma CPI divide opiniões e gera cautela.

Embora setores do PT tenham retomado o coro pela investigação do banco, o partido não apresenta um consenso sobre o tema.

Parlamentares governistas temem que a instalação de uma comissão neste momento se transforme em um palanque eleitoral incontrolável para ambos os lados, trazendo consequências políticas imprevisíveis em pleno ano de disputa presidencial.

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