A caminhada de Flávio Bolsonaro (PL) rumo à sucessão presidencial de 2026 encontra seu maior obstáculo geográfico e político no Nordeste. O senador e pré-candidato tem enfrentado uma barreira de pragmatismo entre líderes regionais de centro-direita, que temem que a vinculação direta com o sobrenome Bolsonaro se torne munição eleitoral para a esquerda — historicamente dominante na região.
Nos três maiores colégios eleitorais nordestinos, o cenário é de cautela extrema. Candidatos competitivos ao governo estadual ponderam que o “carimbo” do bolsonarismo pode elevar a rejeição em um eleitorado que deu vitórias expressivas ao PT nos últimos pleitos.
No Ceará, o PL chegou a flertar com uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). No entanto, o movimento perdeu força na última semana após o próprio tucano questionar publicamente as razões para apoiar Flávio.
Aliados de Ciro avaliam que uma composição com Ronaldo Caiado (União Brasil) seria menos custosa à imagem do tucano, preservando sua identidade política.
Na Bahia, as conversas com ACM Neto (União Brasil), favorito nas pesquisas para o governo estadual, também entraram em compasso de espera.
Embora Flávio tenha discutido o tema pessoalmente com o ex-prefeito de Salvador, dirigentes do União Brasil questionam se um apoio explícito ao filho “01” de Jair Bolsonaro traria mais prejuízos do que benefícios em um estado onde o PT mantém uma hegemonia de quase duas décadas.
A hegemonia de Lula nos estados
Em outros estados-chave, a disputa não é por Flávio, mas pelo aval do Palácio do Planalto:
-
Pernambuco: João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) polarizam a corrida, mas ambos buscam o respaldo de Lula, deixando Flávio sem um palanque de peso.
-
Alagoas: O cenário é de desidratação para o PL. Enquanto o ministro Renan Filho (MDB) conta com Lula, o prefeito de Maceió, JHC, negocia a saída do PL para se filiar ao PSB.
-
Paraíba: O favorito Cícero Lucena (MDB) e o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) disputam a proximidade com o PT.
O horizonte é ligeiramente menos nublado em Sergipe, onde o PL aposta em Valmir de Francisquinho. Contudo, Valmir ainda não figura como favorito nas pesquisas, o que limita o potencial de “puxador de votos” para a chapa presidencial.
Já no Rio Grande do Norte, a situação é um jogo de xadrez. O senador Rogério Marinho (PL) tenta atrair o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União Brasil), para a órbita bolsonarista.
Alysson, que lidera as intenções de voto contra a governadora Fátima Bezerra (PT), tem adotado uma estratégia de silêncio, evitando vincular sua imagem à de Flávio para não afugentar o eleitorado moderado.
A dificuldade de Flávio no Nordeste reforça o desafio do PL em nacionalizar a disputa sem depender exclusivamente do Sudeste e do Sul, onde a base bolsonarista é mais resiliente.
