Em uma ofensiva internacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou os microfones da emissora francesa CNews, nesta segunda-feira (9), para disparar críticas pesadas contra os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron.
Durante a entrevista, o parlamentar, que já se posiciona como pré-candidato à presidência, traçou um paralelo negativo entre as gestões do Brasil e da França, afirmando que nenhum dos dois países “aguenta” seus atuais governantes.
Flávio classificou o governo Lula como de “extrema esquerda” e não poupou Macron, chamando sua administração de “extrema incompetência”.
O senador ironizou as visitas do líder francês ao território brasileiro, afirmando que Macron viaja apenas para “tirar fotos e abraçar árvores na Amazônia”, sem apresentar resultados práticos pela preservação da floresta, que também ocupa parte da Guiana Francesa.
Ao tentar exaltar o legado de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador afirmou que a Amazônia foi preservada na gestão anterior, enquanto estaria sofrendo recordes de queimadas sob Lula.
No entanto, as declarações de Flávio chocam-se com os dados oficiais. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), através do projeto Prodes, o desmatamento na Amazônia Legal vem registrando quedas sucessivas.
Os números oficiais desmentem a tese de recordes no governo atual: o desmatamento caiu de 13.000 km² (pior marca da série recente, registrada no biênio 2020-2021 sob Bolsonaro) para 7.235 km² no último período monitorado (2024-2025).
A investida de Flávio na TV francesa resgata um histórico de tensões diplomáticas entre os dois países. Durante a gestão Bolsonaro, a relação com o Eliseu ficou estremecida após episódios como o apoio do ex-presidente a comentários ofensivos contra a primeira-dama Brigitte Macron.
Agora, ao levar a retórica de oposição para o solo francês, Flávio sinaliza que a estratégia para sua pré-candidatura passará por reforçar o isolamento de Lula perante a direita europeia.
