Acostumados que estamos com o estresse no transporte urbano da capital alagoana, uma cena chamou atenção de maneira positiva, e abordamos a estudante de Serviço Social Maria Clara Ferreira, atrapalhando por alguns minutos seu momento de leitura no ônibus.
Com um sorriso cativante, ela falou que está na fase de finalização do Trabalho de Conclusão de Curso, pesquisando a questão da Reforma Agrária e suas estruturas em Alagoas. Já pensa na pós-graduação.
Se a boa leitura é um gesto revolucionário, quando uma mulher é leitora, geralmente carrega consigo um combo de belezas, e Maria Clara, que estava indo para a aula de balé em um bairro na parte baixa da cidade, é apreciadora de muitas artes, e se disse aberta ao aprendizado destas expressões.
Leitura, música, dança e quiçá mais uma gama de expressões artísticas, além do aprimoramento acadêmico, são bens inalienáveis que a condição humana nos permite arregimentar, mas as divisões de classe e acirramento das desigualdades de acesso e sobrevivência, tornam estes recursos de elevação humano/social cada vez mais difíceis para trabalhadores e seus familiares.
Ser usuária de transporte público em Maceió e cruzar a cidade para dançar balé, enquanto segura um livro importante com atenção e propósito, faz de Maria Clara um exemplo e um incentivo para outras meninas e mulheres alagoanas, até mesmo brasileiras.
Por mais mulheres leitoras, atuando na sociedade e embelezando o mundo com arte, assim seguimos a incentivar!
