Fim da escala 6×1: o que acontece se o Congresso aprovar a PEC?

Uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) protocolada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) ganhou força nas redes sociais e acendeu o debate público sobre o fim da escala 6×1 e a adesão de uma jornada de trabalho de 36 horas semanais, com a divisão em quatro dias.

A proposta alcançou, nesta quarta-feira (13/11) o número necessário de até 171 assinaturas de deputados federais e agora pode ser protocolado na Casa.

O texto recebeu 194 assinaturas, mais de um terço da Câmara. 

A PEC agora precisará passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) por uma comissão especial e, por fim, ser votada em Plenário. 

Para ser aprovada, ela precisará de 308 votos, três quintos da Casa. 

Se isso acontecer, o texto será enviado ao Senado, que também precisará aprovar em Plenário com três quintos dos senadores.

Apesar do apelo público e adesão massiva de trabalhadores à essa proposta, muitos ainda não sabem o que está sendo proposto caso a PEC seja aprovada. Soma-se a isso a ação de políticos de extrema-direita – que são contrários a PEC – em promoverem discursos que tentam amedrontar os trabalhadores quanto a proposta. 

Veja postagem de Erika Hilton no X (antigo Twitter):

Mas o que mudaria na prática?

A PEC reduz de 44h para 36h por semana o limite máximo de horas semanais trabalhadas. Segundo a proposta de Hilton, o formato atual não permite que o trabalhador tenha tempo “de estudar, de se aperfeiçoar, de se qualificar profissionalmente para mudar de carreira”

O número máximo de dias trabalhados por semana passaria a ser quatro.

Uma jornada de 4 dias de trabalho com 8 horas diárias dá 32 horas semanais, e não 36.

A divergência ocorre porque um trabalhador pode, por lei, fazer horas extras que não contam para o limite de 8 horas diárias. Mas o total semanal, segundo Erika Hilton, não poderia superar 36 horas semanais.

Segundo a deputada, a ideia inicial é pautar a redução da jornada no Congresso.

Os detalhes, como o limite de horas diárias e semanais, devem ser debatidos e negociados pelos parlamentares futuramente, de acordo com a congressista.

Hoje, a regra prevê que ninguém pode trabalhar mais que 8h por dia e 44h por semana. A regra não proíbe, porém, que alguém trabalhe seis dias por semana, desde que não ultrapasse os limites previstos.

É uma proteção ao trabalhador que estou levando pro debate público e teremos o momento oportuno pra debater os detalhes, redação e o consenso no Congresso, disse Erika Hilton (PSOL-SP), em nota.

.