Filme CAVALO recebe apoio do edital de Economia Criativa e chega aos cinemas esta semana, dia 12 de agosto

Kelmenn Freitas – Savannah Comunicação Corporativa

O filme CAVALO, dos diretores Rafhael Barbosa e Werner Bagetti, estreia na próxima quinta-feira (12) nos cinemas e nas plataformas digitais após apoio do Sebrae Alagoas e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal). O longa é uma produção da La Ursa Cinematográfica, que no ano passado alcançou a primeira posição da lista de projetos selecionados pelo edital de Economia Criativa.

Ao todo, o edital destinou R$ 512 mil ao financiamento de projetos relacionados aos setores de artes visuais, audiovisual, design, editorial, games e música. A produtora – que está no mercado do audiovisual desde 2015 – conquistou o primeiro lugar do edital com o projeto “Sistema La Ursa de Distribuição Audiovisual”, o que inclui o longa CAVALO.

O filme será lançado nacionalmente pela Descoloniza Filmes e, na sequência, será programado na grade do Canal Brasil. Envolvidos num processo artístico, o documentário acompanha a vida de sete jovens dançarinos que são provocados a um mergulho em suas ancestralidades.

“É um resultado bastante significativo porque é um filme totalmente alagoano, que está chegando aos canais de distribuição, nas salas de cinema, depois desse processo de realização do edital. E isso pode trazer um retorno positivo, tanto na questão financeira quanto de produção cinematográfica em Alagoas”, comemora Débora Lima, analista da Unidade de Competitividade e Desenvolvimento (UCD) do Sebrae Alagoas.

“É uma grande satisfação ver esse projeto caminhando. Eles foram os primeiros colocados no edital, então já existia um potencial empreendedor bastante significativo e que foi identificado durante a seleção. Quero convidar todo mundo a prestigiar, conhecer o filme, principalmente quem já está indo ao cinema. Quem já se sentir confortável para esses espaços públicos, para aproveitar e conhecer essa obra que já foi bastante premiada em vários festivais e chega agora em outra capa de distribuição, que são as salas de cinema”, completa a analista.

Experiência visual

Cavalo é também o termo usado nas religiões afro-diaspóricas – como a Umbanda e o Candomblé – para denominar os praticantes que são capazes de receber entidades em seus corpos. A incorporação no cavalo não é apenas mental ou espiritual – ela passa por todo o corpo.

Da mesma forma, CAVALO não é um filme que tenta desvendar ou explicar a religiosidade, mas toma carona na experiência singular do corpo para acessar a memória, a ancestralidade e a construção de identidade de seus personagens.

“O contato com as histórias das personagens transformou o roteiro do filme. Nas audições, fomos confrontados com relatos muito ricos, histórias poderosas. Enxergamos nessas sete trajetórias elementos que se complementam para criar uma só narrativa”, conta Rafhael Barbosa.

“Escolhemos o corpo como signo mais proeminente do filme. Nossas personagens são sete jovens artistas alagoanos, rappers, Bboys e Bgirls, dançarinos e dançarinas de diferentes gêneros. E alguns deles são cavalos, condição que potencializa a capacidade de expressão corporal”, completa Werner.

“Desde Exu [filme lançado em 2012], temos desenvolvido um projeto artístico que se relaciona com os arquétipos dos orixás e das entidades. Uma pesquisa de oito anos que influenciou na concepção do nosso primeiro longa. Também estávamos estudando a história do Quilombo dos Palmares, uma das maiores narrativas de resistência do mundo, quando entendemos que seria instigante investigar os ecos desse passado em nossa contemporaneidade. A ancestralidade foi o caminho encontrado para expressar essa busca”, explica Werner Salles.

“O filme não tem uma narrativa clássica. Seguimos o caminho do cinema de poesia, mas sempre com uma vontade de nos conectarmos com o público por meio da sensibilidade. Num momento em que a intolerância religiosa e os diversos preconceitos avançam de maneira preocupante no país, CAVALO é um grito poético que deve reverberar”, enfatiza Rafhael.

Compõem o elenco Alexandrea Constantino, Evez Roc, Joelma Ferreira, Leide Serafim Olodum, Leonardo Doullennerr, Roberto Maxwell e Sara de Oliveira. O grupo foi selecionado após um teste de elenco, e passou a conviver num intenso processo de preparação. Na proposta de criação coletiva, os protagonistas foram provocados a construir performances inspiradas pelo arquétipo do cavalo e suas muitas simbologias. Performance, dança e rito se entrecortam em três eixos narrativos.

Contemplado no Prêmio Guilherme Rogato, da Prefeitura de Maceió, e contando com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para sua realização, CAVALO é o primeiro longa-metragem fomentado por um edital público realizado em Alagoas, o que representa um marco para a política cultural do estado.

Distribuição cinematográfica

A La Ursa Cinematográfica, responsável pela produção do longa, surgiu de uma parceria entre Raphael Barbosa, realizador audiovisual, e Felipe Guimarães, diretor e produtor audiovisual, e atua no desenvolvimento de séries, curtas, médias e longas-metragens e, também, no mercado de distribuição cinematográfica.

“Um dos diferenciais da La Ursa é essa junção tanto da qualidade artística, técnica e cultural como também empresarial. Da trajetória da La Ursa, eu destaco dois editais de longas-metragens que vencemos em Alagoas. Um com o filme Olhe para Mim e o outro com o filme Utopia, esse último co-produzido com a Núcleo Zero”. Outro destaque é a distribuição do longa CAVALO, que é o primeiro longa de Alagoas feito com recursos da Ancine. Mais recentemente, nós produzimos o curta-metragem “A Barca”, de Nilton Rezende, que está fazendo carreira em vários festivais”, destaca Felipe Guimarães.

Ainda segundo ele, a intenção é ampliar o projeto de distribuição para contemplar outras produções do audiovisual local. “Um ponto importante é que esse sistema, esse ponta pé inicial nesse sistema servirá para distribuir também outras obras audiovisuais. Então, a gente pega esse filme, CAVALO, como case, mas a ideia é que a gente continue fazendo isso para outros projetos, sobretudo em Alagoas, que está num momento promissor do audiovisual”, adianta.

De acordo com o produtor audiovisual, a iniciativa do Sebrae Alagoas e da Fapeal impactou positivamente o segmento da Economia Criativa no Estado.

“Eu acho super importante esse investimento do Sebrae e da Fapeal na Economia Criativa, que é uma indústria bem ampla e que movimenta milhares de reais em nosso estado. A gente precisa entender melhor, cada vez mais, e incentivar empresas, empresários, trabalhadores e produtos desse setor e esse edital contribuiu para que o empreendedor capte recurso e invista em seu negócio, para que ele consiga alçar novos voos sozinho depois”, ressalta Guimarães.

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