A disputa pelo espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou novos contornos nesta semana, com declarações incisivas de seus filhos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, contra governadores da direita que buscam protagonismo nacional. A reação foi interpretada como uma tentativa de preservar o legado bolsonarista diante do avanço de possíveis sucessores.
Em coluna publicada nesta segunda-feira, o jornalista Ricardo Noblat recorreu a uma metáfora provocativa para descrever o cenário: “Os filhotes da presa ferida reagem ao cerco das aves de rapina.” Segundo Noblat, Bolsonaro representa a “presa ferida” — ainda vivo politicamente, mas enfraquecido por investigações e perda de apoio. Já os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS) seriam as “aves de rapina”, que se aproximam para disputar o espaço deixado pelo ex-presidente.
Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, publicou nas redes sociais críticas diretas aos governadores, acusando-os de oportunismo e de se comportarem como “ratos”. “Sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater”, escreveu.
Eduardo Bolsonaro, deputado federal, também se manifestou, defendendo a importância de manter a “coerência ideológica” e alertando para o risco de “infiltrados” no campo conservador.
A movimentação dos filhos ocorre em meio a articulações de lideranças da direita para construir uma candidatura viável à Presidência em 2026. Com Bolsonaro inelegível, o campo conservador busca alternativas que mantenham o apoio da base bolsonarista, sem depender diretamente da figura do ex-presidente.








