Fichas sujas serão conhecidos em julho, diz procurador

Em entrevista, o procurador eleitoral Rodrigo Tenório diz esperar colaboração do eleitor nas denúncias de compra de votos. E diz se preparar para "o pior quadro possível" na votação
A lista dos candidatos “fichas suja” nas eleições de Alagoas- aqueles que não terão o registro eleitoral- será conhecida em julho. A expectativa é do Ministério Público Eleitoral, que coordena os trabalhos.
Em entrevista, o procurador eleitoral Rodrigo Tenório diz esperar colaboração do eleitor nas denúncias de compra de votos. E diz se preparar para “o pior quadro possível” na votação. Veja o porquê:
Após essa reunião com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sebastião Costa, já dá para saber quem ou quantos candidatos estão incluídos na lista dos fichas suja?
Não, ainda não. Esse dado vai surgir em julho, quando os candidatos devem oferecer seus pedidos de registros de candidatura.
O que é ficha suja, para o MPE?
Ficha suja é uma expressão criada pelas pessoas para designar aqueles que de acordo com a Lei Complementar 135/2010, que alterou a Lei Complementar 64, não podem se eleger por conta de seu passado, seja porque ostentam condenações na Justiça Eleitoral ou condenações na Justiça Criminal, condenações de improbidade administrativa. Esses elementos que trazem certo desvalor ao passado, sendo colocados na lei como óbices a suas candidaturas. Também estão incluídos aqueles que tiveram as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas ou pela Câmara de Vereadores, que perderam os cargos pelo processo de impeachment, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados. Todas estas condenações geram a inelegibilidade dos candidatos, não é toda condenação.
Temos candidatos a prefeito ou vereador capturados por ações da Polícia Federal. Como eles ficam?
Não posso falar de casos específicos, mas usando panorama geral: se estas pessoas foram condenadas por órgão colegiado- Tribunal Regional Federal, no caso das operações da Polícia Federal- ou se tiverem ações transitada em julgado, não poderão concorrer. Do contrário, podem concorrer.
Semana passada, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Orlando Manso, declarou que o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) era inelegível. É possível dizer que o Ministério Público Eleitoral seguirá este caminho em relação ao ex-governador?
Não me manifesto sobre casos concretos.
Qual a expectativa em relação às eleições? Há alguma preocupação no quesito violência?
Na verdade, temos que nos preparar para o pior quadro possível.
Que quadro seria esse?
Não é possível saber. Temos de estar preparados, informações levantadas, eleitor conscientizado, preparado para ajudar. É ilusão dizer que vai haver eleição sem compra de votos; é ilusão acreditar que se combate compra de votos sem participação dlo eleitorado. O preparo tem de ser este: quais os locais mais problemáticos? quais os locais em que se pode contar com o auxílio do eleitor? Quais as forças que poderão ser movimentadas? Quais as informações levantadas? Isso está sendo feito para que no momento do processo eleitoal propriamente dito, tudo esteja o mais organizado possível.
Há um mapa das regiões compradas no Estado por candidatos?
Não se pode fazer este mapeamento. Fala-se da corrupção eleitoral como algo mensurável economicamente. É crime clandestino tido como outro qualquer. Diz-se que 30%, 40%, 50% em determinado lugar, mas é tudo chute, não existe pesquisa relevante sobre caso clandestino. Toda zona eleitoral tem promotor e um juiz eleitoral atuando. Há ações das polícias, os partidos eleitorais se fiscalizam. Não há possibilidade de diminuição de compra de votos sem participação do eleitorado. O eleitorado tem de participar para diminuir a compra de votos.
Verbas para enchentes ou seca. Há preocupação quanto ao uso deste dinheiro o de obras para influenciar o eleitorado na hora do voto?
Não há preocupação com verba específica. A lei eleitora proíbe abuso de poder político e econômico. Todas as verbas em poder do candidato podem servir para manipular o eleitor. Por isso não é estratégia das mais eficientes focar verba tal. A visão tem de ser ampla.
E quanto as casas das enchentes? Fala-se em entregas no mês de junho, julho, quer dizer, mais próximo das eleições. E menos de 10% destas casas foram entregues. Como fica isso?
Os 10% não são números fieis porque dependem da região. Quanto ao outro ponto, qualquer serviço público pode ser objeto de barganha: aumento de verba de programa social, construção de rodovias, seja lá o que for. Por isso é difícil dizer: programa tal, A ou B. Há em todos os programas.
O senhor tem estrutura hoje para essa varredura?
Não como eu gostaria. No MP Eleitoral não dá 100 pessoas.
Qual o ideal? 
É impossível dizer. De quantos repórteres você precisaria para cobrir todas as notícias, ao mesmo tempo? É mais ou menos a mesma coisa. Temos uma estrutura boa, mas é preciso sempre estar evoluindo, é preciso aumentar a estrutura do Ministério Público Eleitoral, como precisa aumentar da Justiça Eletoral, para que tudo isso ande. Estamos hoje assoberbados de trabalho. Temos 2.400 processos tramitando, só ações propostas por mim, em torno de mil. Só que eu atuo em todas as ações que chegam ao TRE. Ou seja: 2.400 processos, sozinho. É um volume grande, mas minha assessoria tem dado conta. Já sabemos que este número vai subir exponencialmente nas eleições.

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