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Feriadão com 22 mortos em Maceió

O feriadão da Semana Santa foi marcado pela violência na capital alagoana. De quinta-feira (05) até o domingo de Páscoa (08), 22 pessoas foram assassinadas em Maceió- a terceira cidade mais violenta do mundo.

Na quinta-feira, a polícia registrou dois assassinatos. Cícero Ricardo Gusmão e Antônio Francisco de Lima Júnior, morreram após serem atingidos por disparos de espingarda e pistola, além de vários golpes de faca.

Na sexta-feira, após uma operação no Vergel do Lago, dois homens foram mortos após trocar tiros com policiais militares.

Everton Luan Pontes, de 18 anos, e Gilberto Alves do Nascimento, de 35 anos, foram executados a tiros no bairro do Rio Novo.

Neste domingo, Moacir Lúcio da Silva foi morto a facadas na cidade de Campo Alegre. O assassino não foi encontrado.

No dia 7, um jovem de 19 anos- conhecido como Sassá- foi morto a tiros na cabeça, no meio da rua, em Marechal Deodoro. A polícia não tem pistas dos assassinos.

Na cidade de São Sebastião- a 130 quilômetros de Maceió- o corpo de uma mulher foi encontrado em avançado estado de decomposição. Como os outros crimes, não há pistas dos assassinos.

Neste final de semana, o Repórter Alagoas mostrou números do Conselho Estadual de Segurança: 95% do orçamento da segurança pública de Alagoas- o estado mais violento do Brasil- pagam folha de pessoal. O que sobra- 5%- vai para a compra de armas, equipamentos, reforma de presídios.

O orçamento da segurança é de quase um bilhão de reais (exatos R$ 879.527.407), em 2012. Só que o Governo terá apenas R$ 43,9 milhões para investimentos. São R$ 3,3 milhões por mês para reformar quase 15% das delegacias que estão aos pedaços no Estado. Ou reformar os seis presídios alagoanos- com o maior deles, o Baldomero Cavalcanti, com risco de cair e pedido de interdição e demolição feito pela Justiça. Há ainda compra de viaturas, armas, coletes à prova de balas.

“É uma questão de eficiência. Temos que buscar gestão para este dinheiro que sobra. É o jeito”, disse o presidente do Conselho Estadual de Segurança, Paulo Brêda.

Para a cientista social Ana Cláudia Laurindo, os conceitos alagoanos na área de gestão pública estão defasados.
“O que eu percebo é que o conceito de gestão pública é defasado. É focado na manutenção do aparato, veiculado às reminicências da monarquia- essa ideia dos direitos sagrados, com privilégios”, disse.

“Temos o disparate de uma sociedade à beira do caos e justificatva de sempre ter pouco para se investir. Segurança pública se faz com prioridade, foco, investimentos de pequeno e grande alcance. Temos uma escolha a fazer: ou abrimos mão desse passado monarquita, cortando regalias, ou teremos uma implosão. Estamos fora de controle. A violência alagoana não se resume ao tráfico, é apenas uma parte do problema. O discurso funciona até agora, mas não vai durar muito tempo. Ou se reverte essa realidade, com foco no século XXI, ou não poderemos prever o que vai vir. O discurso de que o tráfico é o grande problema não tem vida longa”, disse Laurindo.

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