O investimento maciço do patriarcado na domesticação da mulher se utiliza dos recursos do conservadorismo, que se atrela ferrenhamente ao cunho religioso. O texto abaixo merece que façamos algumas análises, no intuito de alimentarmos as convicções sobre a necessidade de sermos todas feministas:

A recuperação da ideia do homem como provedor do lar, laureado pelo cansaço de quem trabalha, relega todo trabalho executado pela mulher a um plano inexistente, enquanto exalta sua “escravidão” ao lar como algo extremamente prazeroso.
Este tipo de mensagem está ecoando nos lares do Brasil, principalmente através dos microfones de muitas igrejas neopentecostais, e também nas redes sociais, por páginas como esta que expomos e de onde retiramos o exemplo de postagem que ora analisamos.
Tais aglomerados que se dizem de fé, orientam as mulheres a desistirem de lutar por uma carreira profissional que lhes afirme autonomia, para se tornarem “serviçais” amorosas dos maridos.
Além de apresentar a mulher “do lar” como modelo ideal de fêmea, cuidadora de filhos, a leitura da bíblia junto aos filhos, direciona o alvo do discurso: a família.
Esta temática continua alimentando todos os medos que possam oprimir o coração humano, pois relacionam “sucesso” e “fracasso” como resultado deste empenho de “renúncia” por parte da mulher/mãe, a pseudosalvadora do clã.
Neste círculo de fogo que consome a mulher, o temor das drogas, a exacerbada homofobia e os riscos de morte dos filhos pela violência são trabalhados na surdina, interiorizando responsabilidades que na verdade, são construções machistas, em afinidade com as ilusões de sociedade perfeita sob a plataforma da alienação política.
Mas ainda não acaba por aí, pois a objetificação do corpo doméstico (que nunca cansa), embebido em cremes para amaciar as carnes da mulher, que devem ser oferecidas de maneira submissa e amorosa ao macho carniceiro, afirma domínio, usufruto e posse, como características intrínsecas do lar tradicional, tornando esta representação um ideal de “felicidade”.
Após a satisfação do ego, da matéria e dos instintos masculinos, ainda cabe à mulher ser a companheira que lhe ouve os desabafos, em virtuosa companhia, que assim como não tem razões para cansar (já que não trabalha) por certo nenhum desabafo terá a fazer. O mundo gira em torno do visitante noturno, que é o dono da casa e das pessoas que moram nela, pelas quais se sacrifica para trazer o pão.
Todas nós sabemos que este desenho caricato não corresponde à realidade.
Assim como também sabemos que eles constroem caricaturas das mulheres feministas ininterruptamente, no estilo grotesco que caracteriza esta ação, tentando nos roubar desde a beleza do corpo até a “salvação” do espírito. E precisamos fomentar contracultura, produzir materiais que visibilizam a mulher autônoma, mães solo, profissionais de sucesso, sobreviventes da dor ontológica em reinvenção da vida, em todos os cantos do Brasil e do mundo.
Porque foi o feminismo que nos libertou!





