Fator Saúde: A nova cartada da defesa de Bolsonaro

Brasília (DF), 26/03/2025 - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A ala jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro prepara uma ofensiva estratégica para tentar reverter sua custódia preventiva.

Segundo apuração da CNN Brasil, os advogados de defesa articulam um novo pedido de prisão domiciliar, baseando a solicitação em um laudo médico atualizado que deve ser apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias.

O movimento ocorre em meio à internação de Bolsonaro na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, onde ele permanece desde a última sexta-feira (13).

O boletim médico mais recente, divulgado na manhã deste domingo (15), aponta que o ex-presidente, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, apresenta uma evolução no quadro de pneumonia.

No entanto, o estado ainda inspira cuidados rigorosos: os marcadores inflamatórios seguem elevados e não há qualquer previsão de alta.

É justamente esse cenário de fragilidade clínica que a defesa pretende usar como alavanca jurídica.

O advogado Paulo Cunha Bueno já havia sinalizado a intenção de protocolar o recurso ainda na sexta-feira.

Em suas redes sociais, Bueno reforçou a tese de que nenhum estabelecimento prisional, por melhor que seja sua estrutura, é capaz de oferecer os “cuidados e precauções” que o quadro de saúde de Bolsonaro exige no momento.

Para a defesa, a manutenção da prisão preventiva em uma unidade da Polícia Federal representa um risco desnecessário à vida do ex-mandatário.

O histórico de negativas no STF

Esta não é a primeira tentativa de levar Bolsonaro para o regime domiciliar.

Desde sua prisão em novembro do ano passado, a defesa já protocolou ao menos quatro pedidos similares, todos com o argumento de que a idade avançada e a saúde debilitada demandam acompanhamento constante.

Contudo, o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, tem sido irredutível.

Nas decisões anteriores, Moraes sustentou que não há amparo jurídico para o benefício neste caso específico.

O ministro argumenta que o sistema prisional tem oferecido atendimento médico adequado e, mais do que isso, relembra o histórico do réu: o descumprimento reiterado de medidas cautelares e os indícios de uma possível tentativa de fuga no passado.

Agora, com o agravamento do quadro clínico e a internação na UTI, a defesa aposta que o laudo médico atualizado será o argumento técnico difícil de ser ignorado pela Corte.

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