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Família de jornalista pede desculpas por ataques homofóbicos

A família da jornalista Adriana Catarina Ramos de Oliveira, de 61 anos, veio a público nesta semana para pedir desculpas pelos ataques homofóbicos cometidos por ela em dois episódios recentes em São Paulo. Em nota, as filhas da jornalista afirmaram que “repudiam qualquer forma de preconceito” e atribuíram os comportamentos da mãe a um quadro severo de esquizofrenia e transtorno bipolar, com o qual ela convive há cerca de 20 anos.

De acordo com a família, Adriana já passou por diversas internações e tratamentos médicos, e o surto recente exigirá novas providências clínicas. “Estamos priorizando, neste momento, a segurança das vítimas e intensificando o acompanhamento médico”, diz o texto divulgado por suas filhas.

Dois episódios em menos de uma semana

O primeiro caso ocorreu no sábado (14), quando Adriana foi presa em flagrante após ofender um homem gay no shopping Iguatemi, zona oeste da capital paulista. Durante o ataque, chamou a vítima de “pobre” e “bicha nojenta”. Após audiência de custódia, ela foi liberada com medidas cautelares, incluindo proibição de frequentar o shopping e de deixar a cidade sem autorização judicial.

Já na segunda-feira (17), Adriana voltou a ser notícia ao ser filmada ofendendo três jovens homossexuais no condomínio onde vive, em Higienópolis, região central da cidade. No vídeo, ela aparece chamando os rapazes de “boiolas depilados” e dizendo que estavam “na gaiola das loucas”. A Polícia Militar foi chamada e ela prestou depoimento na delegacia, sendo liberada em seguida.

Reações e indignação

As vítimas dos ataques relataram profundo constrangimento e revolta. Um dos jovens, Gustavo Leão, afirmou que vive no mesmo prédio da agressora e descreveu a situação como “um show de horror”. “Espero de verdade que ela pague pelo que fez. Tenho medo de conviver com ela aqui”, disse em entrevista ao UOL.

A administração do condomínio também se manifestou por meio de nota, repudiando qualquer forma de discriminação e reiterando seu compromisso com o respeito à diversidade.

Investigação em andamento

Os dois casos são investigados pela polícia como crimes de homofobia, previstos na legislação brasileira desde que o Supremo Tribunal Federal equiparou esse tipo de discriminação ao crime de racismo. Caso condenada, Adriana poderá enfrentar penas que incluem reclusão e multa.

Apesar da justificativa da família sobre o estado de saúde mental da jornalista, a responsabilização judicial continua em curso. A Defensoria Pública e organizações LGBTQIA+ acompanham o caso.

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