Família Bolsonaro explode pontes com principais aliados

O clima de harmonia na base bolsonarista deu lugar a um cenário de guerra aberta nas últimas 48 horas. Segundo apuração da CNN Brasil, os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro subiram o tom contra aliados de primeira linha, incluindo o deputado Nikolas Ferreira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a própria cúpula do Partido Liberal (PL).

O episódio expõe uma fratura exposta no movimento, agravada pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela oficialização da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A tensão escalou quando Eduardo Bolsonaro, diretamente dos Estados Unidos, acusou Nikolas e Michelle de sofrerem de “amnésia”.

A crítica mordaz decorre da ausência de um apoio explícito e imediato de ambos à postulação de Flávio ao Planalto.

A resposta não tardou: Nikolas Ferreira, o deputado mais votado do país, reagiu afirmando que o Brasil possui problemas mais urgentes e sugeriu, em tom irônico, que Eduardo “não está bem”.

O fator Michelle e o nó catarinense

A ofensiva dos filhos do ex-presidente coloca o PL em uma saia justa estratégica. Michelle Bolsonaro é hoje o maior ativo do partido para o eleitorado evangélico, segmento vital para qualquer pretensão eleitoral da direita.

Atacar a ex-primeira-dama é visto por caciques da legenda como um “tiro no pé” que pode isolar a família.

Enquanto isso, Carlos Bolsonaro abriu outra frente de batalha, desta vez no Sul. Ele utilizou suas redes sociais para disparar contra o PL, afirmando que setores da sigla estão “jogando contra a família”. O pomo da discórdia é a chapa ao Senado em Santa Catarina, no governo de Jorginho Mello.

  • A exigência de Carlos: Uma chapa pura com ele próprio e Caroline De Toni.

  • A estratégia do PL: Uma composição com o PP, apoiando a reeleição de Esperidião Amin para ampliar o tempo de TV e a capilaridade política.

Flávio Bolsonaro no centro do furacão

No meio do fogo cruzado, cabe ao senador Flávio Bolsonaro o ingrato papel de “bombeiro”.

Agora como pré-candidato oficial, ele enfrenta o desafio hercúleo de unir uma base fragmentada e administrar o temperamento dos irmãos, que parecem dispostos a testar a lealdade dos aliados no limite.

Com o centro político observando as fendas na armadura bolsonarista, o risco é que o pragmatismo eleitoral fale mais alto que a ideologia, deixando a “chapa da família” isolada antes mesmo da campanha começar de fato.

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