A fala da juventude popular, na manhã de ontem no Teatro Gustavo Leite, diante das autoridades locais e nacionais no lançamento do Programa Juventude Viva, veio da boca de Rúbia Nascimento, da cidade de Messias – AL, participante de Pastoral de Juventude do Meio Popular, Rede Jovens Nordeste e RECID.
Com a extrema responsabilidade de representar a difícil saga da juventude negra alagoana, largada no campo de guerra das desigualdades sociais e políticas predatórias, a jovem apela para “que os representantes presentes à mesa cumpram seu papel”. Diante da realidade amarga de uma juventude exposta à “violência que tem cor, faixa etária, sexo e endereço”.
Quem sente a dor de ser marginalizado, sabe a verdade da afirmação de Rúbia: “a violência psicológica fica para sempre!”
Esta violência a encontramos no princípio das relações, ambientes de convivência da infância, quando o racismo destingue uns e outros, pelos artifícios das “opiniões” e acidez ou docura do trato. Com o jovem a aspereza beira a pancada, até chegar à morte física.
“A juventude não quer apenas se drogar, ela sonha, tem desejos, quer viver!”
Quiçá aqueles ouvidos tenham captado essa voz, essa afirmação de vida…pois os fazedores de políticas públicas participam fundamentalmente dos processos de vida e morte, na sociedade. Portanto, são responsáveis.
“O que faz os nossos jovens deixarem as escolas?”
Muitas pesquisas são feitas pelas graduações e pós-graduações em Educação sobre essa questão. O que acontece com elas, que não nos trazem essas respostas abertamente? Talvez o desinteresse dos gestores não possibilite a divulgação dos resultados, que certamente, não lhes favoreceriam a publicidade.
“Qual atendimento o jovem negro tem? Que saúde tem?”
Sua fala retratava um dado contexto de exclusão, agravado em Alagoas, pela ausência de políticas voltadas a essa causa. Como consequência, o alto índice de homicídio caindo vorazmente sobre essa juventude.
Com voz embargada pelas lágrimas, Rúbia lamentava: “Não é fácil ser apontado como o estado mais violento do país”!
Sim, isso não tem sido fácil para os filhos e filhas das camadas populares, pois o saldo de morte está dentro das nossas vidas. Aqui estão as saudades dos filhos, namorados, amantes, pais, maridos, amigos…
“Onde começa a história dessa juventude, até chegar à violência?”
“Precisamos de uma Secretaria de Juventude. Conselho Municipal e Estadual de Juventude.”
“Não quero mais ouvir pela mídia que banaliza, ‘que bandido bom é bandido morto’. A sociedade civil pressione o governo. Que o governo se una à juventude!”
Os merecidos aplausos. As diversas expressões nos rostos das autoridades à mesa. A vibração do público. A esperança de dias melhores. A certeza de que discurso não resolve e panacéias midiáticas agravam o mal.
À Deus. A nós. Ao tempo. Quem viver, verá.




