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No quarto dia de seu julgamento pelo massacre de 77 pessoas em julho, Anders Behring Breivik, 33 anos, disse que tinha planos de capturar e decapitar a ex-premiê norueguesa Gro Harlem Brundtland durante o ataque à Ilha de Utoya, no qual o objetivo era matar todos os cerca de 600 presentes.
Brundtland já havia deixado a ilha quando Breivik abriu fogo em um acampamento de jovens do Partido Trabalhista, deixando 69 mortos. O extremista tinha como objetivo capturar a ex-premiê, filmar sua execução e publicar o vídeo na internet, inspirando-se na rede terrorista Al-Qaeda.

“O plano era decapitar Gro Harlem Brundtland enquanto ela estivesse sendo filmada, no que seria uma poderosa arma psicológica”, disse Breivik, que chamou suas vítimas de “traidores” e não mostrou nenhum remorso. “O objetivo não era matar 69 pessoas em Utoya. Era matar todas as pessoas.”
O extremista disse que esperava um confronto com a polícia quando deixou Oslo em direção à ilha. “Estimei minhas chances de sobrevivência em 5%”, afirmou, acrescentando que se preparou para os ataques com os jogos de videogame Modern Warfare e World of Warcraft. “Não gosto desses jogos, mas é bom se você quer simular (tiros) para propósito de treinamento.”
Brundtland, que é do Partido Trabalhista, foi premiê durante uma década, chefiou a Organização Mundial de Saúde (OMS) e foi nomeada enviada da Organização das Nações Unidas (ONU) para a mudança climática. Ela se recusou a comentar as declarações de Breivik.
Durante a audiência, Breivik também afirmou que seu plano inicial previa a explosão de três bombas em Oslo, inclusive no palácio real, uma ideia abandonada por causa da dificuldade de produzir bombas com fertilizantes.
“Tinha escolhido uma área do palácio de forma a não ferir a família real. Muitos nacionalistas e conservadores culturais são partidários da monarquia, assim como eu”, disse Breivik. “Quando se tornou impossível produzir mais de uma bomba, decidi usar a estratégia de uma explosão e um ataque a tiros.”
Ele estudou outros alvos para seus ataques, como a conferência anual de jornalistas da Noruega e a reunião anual do Partido Trabalhista. Como não conseguiu se preparar a tempo, escolheu atacar o acampamento da juventude da legenda.
A questão crucial do julgamento é determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo, lançado em 22 de julho de 2011. Uma avaliação psiquiátrica o caracterizou como psicótico e “delirante”, enquanto outra o consideroucompetente mentalmente para ser enviado à prisão.
Nesta quinta-feira, Breivik não fez a saudação extremista repetida nos primeiros três dias de julgamento. Seu advogado de defesa, Geir Lippestad, havia anunciado na quarta-feira que pediria a Breivik renunciasse ao gesto de bater no peito e levantar o braço direito com o punho fechado, considerado uma provocação pelos familiares das vítimas.
Segundo um manifesto publicado por ele na internet, o gesto significa “a força, a honra e o desafio aos tiranos marxistas da Europa”.








