Ex-presidente nega tentativa de golpe e fuga do país, mas evita explicações sobre dinheiro e pendrive apreendidos

Brasília (DF), 18/10/2023, O ex-presidente Jair Bolsonaro, fala com jornalistas, na sede da Polícia Federal em Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Ricardo Lima

Em tom defensivo, o ex-presidente Jair Bolsonaro falou à imprensa nesta sexta-feira (18) após colocar a tornozeleira eletrônica na sede da Polícia Penal em Brasília. Mesmo sob medidas restritivas do STF, ele manteve o discurso de perseguição política e minimizou as acusações contra si.

Questionado sobre o pendrive encontrado no banheiro de sua casa e os US$ 14 mil em espécie apreendidos, Bolsonaro deu respostas evasivas:
“Sempre guardei dinheiro em casa”, disse, sem explicar a origem ou o motivo de manter valores altos em dólares.

Sobre a suspeita de que planejava deixar o Brasil – como fez a deputada Carla Zambelli (PL-SP), foragida há 40 dias –, ele negou:
“A suspeita é exagero. Eu sou ex-presidente da República, isso é uma humilhação.”

Minuta Golpista? “Só Estado de Sítio”
Ao ser pressionado sobre a minuta golpista encontrada em sua residência, que sugeria medidas para anular as eleições, Bolsonaro reagiu com irritação:
“Você viu a minuta do golpe? Você viu? O que tinha era uma minuta de estado de sítio, só isso!”

Apesar da negação, o documento em questão foi incluído no inquérito do STF como prova de tentativa de ruptura democrática.

Autovitimização e Ataques a Lula
Sem apresentar provas, Bolsonaro voltou a acusar o governo Lula de alienação internacional:
“Hoje o governo não conversa com o Trump e está totalmente desalinhado.”

Ele ainda se gabou de sua relação com o ex-presidente dos EUA:
“Trump não tarifou o aço nem o alumínio em 2019 por causa do meu poder de negociação.”
Porém, quando questionado se o julgamento dele poderia influenciar as ameaças de taxação contra o Brasil, minimizou:
“A taxação é no mundo todo. A Índia está conversando, só o Brasil que não está negociando.”

Fim da Entrevista com Marcha Fúnebre
A coletiva foi abruptamente interrompida quando um trompetista começou a tocar a Marcha Fúnebre nas proximidades. Bolsonaro encerrou o diálogo sem responder a perguntas cruciais sobre as investigações.

Conclusão: Negacionismo e Falta de Respostas
Enquanto o STF avança nas investigações, Bolsonaro segue o mesmo roteiro: nega, distorce e se vitimiza, sem oferecer explicações convincentes sobre as evidências contra ele. Seu discurso, repleto de contradições, apenas reforça a percepção de que as medidas judiciais são necessárias para preservar a democracia.

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