Ex-chefe da Gangue Fardada, Cavalcante está solto

O pai da menina Eloá Pimentel, cabo Everaldo dos Santos, era um dos integrantes da Gangue Fardada e está preso em Maceió

Por decisão da Justiça, o chefe da Gangue Fardada em Alagoas, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante- preso há 13 anos- foi solto nesta sexta-feira de carnaval e vai ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

“Baixei uma portaria determinando para que quem responde a crimes de homicídio e tráfico de drogas e vão passar para o regime semi-aberto deverão ser monitorado eletronicamente”, disse o juiz da 16ª Vara de Execuções Penais, Braga Neto.

Cavalcante responde a mais de 10 assassinatos- todos na década de 90, quando liderava uma organização paramilitar que matava desafetos políticos a mando de usineiros e políticos de Alagoas.

O pai da menina Eloá Pimentel, cabo Everaldo dos Santos, era um dos integrantes da Gangue Fardada e está preso em Maceió.

Um dos assassinatos, comandados pelo ex-tenente-coronel, foi o do tributarista Sílvio Vianna- chefe do setor de Arrecadação Estadual- morto a tiros por cobrar dívidas de usineiros em Alagoas, em 1996. Tamanha era a influência do ex-militar no aparelho estadual que o governador Divaldo Suruagy, na época do crime, nomeou o próprio militar para investigar o crime- do qual foi acusado, anos depois.

A Gangue Fardada era conhecida pela crueldade na execução das vítimas. Alguns de seus integrantes chegaram a serrar uma mulher.

Em 26 de outubro do ano passado, por quatro votos a três, Cavalcante foi absolvido, por clemência, pelo assassinato do cabo da Polícia Militar José Gonçalves, morto em um posto de gasolina, em maio de 1996.

O crime, conforme o processo, foi um “consórcio de deputados” formado pelo vice-presidente da Assembleia, deputado Antônio Albuquerque (PT do B), o deputado João Beltrão (PRTB) e o ex-deputado federal Francisco Tenório (PMN)- preso pelo crime.

Gonçalves foi emboscado em um posto de gasolina na Via Expressa e assassinado. Um dia depois do crime, no velório, Cavalcante invadiu a casa da família de Gonçalves. Estava bêbado e chegou a sacudir o corpo no caixão.

“Eu o perdoo pelo que fez, mas foi muito doloroso ver a casa comprada por meus pais para que os filhos pudessem estudar em Maceió ter sido invadida por você e homens armados no dia do velório do Salvinho”, disse a irmã do cabo Gonçalves, Ana Maria, em depoimento, durante o julgamento.

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