O governo dos Estados Unidos deve suspender, a partir do próximo dia 21 de janeiro, a emissão de vistos para cidadãos do Brasil e de mais 74 nações.
A medida, que representa um endurecimento drástico na política migratória americana, consta em um memorando do Departamento de Estado enviado a funcionários consulares e revelado inicialmente pela emissora Fox News. Entre os países afetados pela lista estão Rússia, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Somália e Iêmen.
Segundo informações obtidas pela emissora, a suspensão terá caráter temporário, permanecendo em vigor até que o Departamento de Estado conclua uma revisão completa das diretrizes de visto vigentes.
A justificativa para a medida baseia-se na contenção de gastos públicos. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, afirmou à Fox News que o objetivo é impedir a entrada de “potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”.
A declaração refere-se diretamente a estrangeiros que, na visão de Washington, poderiam vir a depender do sistema de assistência social e benefícios públicos dos EUA.
Regras mais rígidas e foco em “encargo público”
A decisão é o ápice de uma série de movimentos restritivos que começaram no final do ano passado. Em novembro de 2025, o departamento já havia orientado consulados em todo o mundo a aplicarem regras mais rígidas baseadas na cláusula de “encargo público”. Na prática, os agentes consulares agora têm instruções para negar vistos com base em critérios subjetivos de saúde — incluindo a possibilidade de necessidade de cuidados médicos de longo prazo —, idade avançada, domínio do idioma inglês e robustez da situação financeira.
Sob as novas normas, perfis considerados de maior risco para o sistema público, como pessoas idosas, candidatos com sobrepeso ou aqueles que possuem histórico de uso de assistência financeira governamental, podem ter seus pedidos negados sumariamente. Recentemente, no último dia 12, o perfil oficial do Departamento de Estado no X (antigo Twitter) celebrou a revogação de 100 mil vistos considerados irregulares, reforçando que continuará deportando “criminosos para manter a América segura”.
No Brasil, o cenário gera incerteza para milhares de viajantes e empresários. O Itamaraty informou que o tema deve ser tratado diretamente com a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.








