EUA assumem sequestro de Maduro e Partido Republicano sugere que não haverá novos ataques à Venezuela

Lorenzo Santiago- Brasil de Fato

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, confirmou neste sábado (3) o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o mandatário está preso e será julgado por levar drogas aos EUA.

A declaração ratifica o que foi dito ainda neste sábado pelo presidente dos EUA, Donald Trump e confirma o objetivo dos ataques estaudunenses de derrubar o governo chavista.

Outro a se posicionar foi o senador republicano Mike Lee. Nas redes sociais, o congressista disse ter conversado por telefone com Marco Rubio e que o secretário de Estado afirmou que Maduro passará por um julgamento dentro dos EUA. Ainda na postagem, ele afirma que Rubio sugeriu que não haverão novos ataques na Venezuela “enquanto Maduro estiver sob custódia”.

Rubio alega, sem apresentar provas, que Maduro é líder de uma organização criminosa chamada Cartel dos Sóis. A existência do grupo foi desenhada durante a primeira gestão de Trump e nunca foi confirmada. O nome dessa facção saiu do noticiário depois que Trump deixou a Casa Branca, mas foi retomado agora no segundo mandato do republicano.

Trump afirmou durante a madrugada que Maduro e Cilia foram sequestrados e retirados da Venezuela. Ele disse que dará mais detalhes da operação em sua mansão em Mar a Lago às 11h no horário da Flórida (13h de Brasília).

Os ataques contra a capital venezuelana e outras cidades ao redor começaram a ser registrados às 2h50. A diplomacia brasileira que está em Caracas confirmou que ao menos 6 locais foram bombardeados:

O complexo militar do Forte Tiúna, em Caracas, sede do Ministério da Defesa e lugar onde vive Maduro; o Quartel de La Montaña, em Caracas, museu militar onde está o mausoléu do ex-presidente, Hugo Chávez; o porto e a base naval de La Guaira, nos arredores de Caracas; a estação de sinais de El Volcán, ao sul de Caracas; a base aérea de La Carlota, em Caracas; e o aeroporto de Higuerote, no estado de Miranda.

Os serviços públicos não estão funcionando na capital neste sábado, especialmente os transportes. Estações de metrô estão fechadas e os ônibus não estão circulando. A maior parte do comércio não abriu nesta manhã.

O governo venezuelano tem adotado até o momento duas linhas de ação. De um lado condenar os ataques e pedir ajuda internacional. Do outro, tentar tranquilizar a população e mostrar que não há um estado de choque. Ministros e deputados publicaram vídeos mostrando que há uma movimentação normal depois do bombardeio.

Ainda assim, a vice-presidente, Delcy Rodríguez, denunciou o desaparecimento de Maduro e pediu uma “prova de vida” dele e de Cilia.

Resposta venezuelana
O governo venezuelano decretou estado de comoção exterior em todo o território nacional e convocou todas as forças sociais e políticas para uma mobilização em defesa do território nacional. O governo também pediu mobilização das Forças Armadas em todo o país para enfrentar os ataques estadunidenses.

Em nota, o governo destaca que “tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em sério risco a vida de milhões de pessoas”. De acordo com o governo, o objetivo da agressão é a apropriação de recursos estratégicos venezuelanos.

“O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, diz o comunicado.

Já a Embaixada dos EUA em Caracas emitiu um comunicado de nível 4 instando os cidadãos do país a não viajarem para a Venezuela “por qualquer motivo”.

Editado por: Rodrigo Chagas
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