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Estamos mais pobres em 2021

E a política toma o braço da normalidade para começar o ano novo na sequência das coisas antigas: manutenção do poder, jogo de influências, entretenimentos discursivos à direita e à esquerda, montando um cenário onde cada qual “deve” ter um brinquedinho para tornar fetiche pelo resto do calendário!

Política é energia neutra mas aqueles que manuseiam os acordes não o são.

Poucos novos empossados combatem as ações nefastas de Bolsonaro, e a quantidade daqueles que aderem à eficácia de resultados eleitorais sob os auspícios da necropolítica prezam por mantê-lo no poder. Ao povo será dado apenas a parte que convém, neste tabuleiro de azares.

A normalidade do poder político partidário revela e aponta que o caminho não pode ser apressado, pois pelo afã da participação (ainda que no intuito da transformação) o risco de cair no abismo é eminente.

Parece desanimador reunir o povo? Pois os arautos de Bolsonaro o fazem cotidianamente!

Onde? Nas igrejas! Como? Prometendo a riqueza celestial com algumas concessões terrenais, nas buscas psicológicas de inclusão nos banquetes fartos em um mundo pintado com as cores do firmamento, no qual todos poderão ser ricos, um dia.

Política da normalidade bolsonarista segue flertando com a teologia da prosperidade enquanto a esquerda se ocupa com as linguagens.

Mudem vírgulas, artigos, desfiem entre si o ódio envenenado pelos interesses liberais – diz a voz da reconfiguração capitalista nestes dias de mal-me-queres! E a burocracia cuida dos poderes, das negociatas, das afirmações entre o tempo do voto e a execução do poder na concretude das nossas vidas, indiscriminadamente.

Eis o tempo da embriaguez na taça de cicuta!

Outras direções de julgamentos, empreendimento de energias e desperdícios de inteligências nos castelos onlines das tretas.

A normalidade do poder é deixar os distraídos ocupados, os oprimidos alienados e a face vitoriosa da riqueza invadindo sonhos e pesadelos.

O problema das nossas vidas não é somente Bolsonaro, é o esquema completa de convencimentos.

A perda da concretude facilitou o sono liberal.

Sair da matrix pode parecer apenas um pesadelo estrutural indesejável.

A política partidária nesta hora almoça com as representações concretas, embora se digam abstratas, no centro de força geral.

Entre gritos e grunhidos o povo segue disperso de si e muito ligado às projeções que mais atrai a cada tipo de gosto.

Para fechar estas linhas só queremos resgatar um elemento conceitual a ser defendido: a existência das classes sociais!

Bom despertar! Estamos mais pobres em 2021!

 

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