Um levantamento da Secretaria do Tesouro Nacional revela que os estados governados por opositores ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os que mais dependeram da União para honrar empréstimos em 2025. Ao todo, o governo federal desembolsou R$ 11 bilhões para pagar parcelas de dívidas estaduais com bancos e organismos internacionais, evitando que essas administrações entrassem em calote.
O topo da lista é ocupado por quatro estados inseridos no Regime de Recuperação Fiscal (RRF): Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. O Rio de Janeiro, sob gestão de Cláudio Castro (PL), liderou os repasses com R$ 4,69 bilhões (42,35% do total anual). Minas Gerais, de Romeu Zema (Novo), aparece na sequência com R$ 3,55 bilhões consumidos pelo mecanismo de garantia.
Na prática, o governo federal atua como fiador dessas operações. Quando um estado não quita o financiamento, a União assume o compromisso para preservar a credibilidade do Brasil no sistema financeiro global. Através do RRF, esses estados ganham o fôlego de não ter os bens bloqueados imediatamente pela União (contragarantia), empurrando o impacto financeiro para refinanciamentos que podem durar até 30 anos.
Os dados reforçam um cenário de asfixia financeira nas unidades federativas oposicionistas:
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Rio Grande do Sul (Eduardo Leite): R$ 1,59 bilhão pagos pela União.
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Goiás (Ronaldo Caiado): R$ 888,06 milhões honrados pelo Tesouro.
Baixo índice de recuperação
Desde 2016, a União já cobriu R$ 86,52 bilhões em dívidas de entes subnacionais, mas conseguiu recuperar apenas R$ 5,9 bilhões. A dificuldade em reaver os valores deve-se, em grande parte, às regras do RRF e a decisões judiciais que impedem o bloqueio de receitas estaduais e municipais.
O relatório evidencia uma contradição política: enquanto os governadores desses estados frequentemente criticam a política econômica do governo federal, suas administrações dependem diretamente do suporte financeiro do Tesouro para manter as contas em dia e evitar a insolvência diante de credores internacionais.
