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Esqueceremos o professor Acioli porque ainda tratamos gays como lixo social

Quanto custa a vida de um homossexual em Alagoas?

Durante anos, estivemos na lista dos estados que mais matavam lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Por que? Como alcançamos essa condição?

O vereador de Coqueiro Seco, Renildo José dos Santos, foi assassinado em março de 1993. Foi espancado e seu corpo esquartejado, com pedaços jogados em vários lugares. Isso em março de 1993. Esquecemos do Renildo.

O estudante Fábio Acioly foi sequestrado em agosto de 2009, levado a uma área de pouco público em Maceió e queimado vivo. Fábio, ainda vivo, se arrastou para a pista pedindo socorro. Esquecemos do Fábio.

José Aparecido Santana da Silva, de União dos Palmares, foi enforcado com a própria calça que ele vestia. Em seguida, o assassino usou um facão para partir pescoço e tórax- os cortes mais baratos do mercado da morte. Isso foi em abril deste ano. Esquecemos do José Aparecido.

O professor José Acioli da Silva Filho tinha 59 anos. Foi espancado dentro de casa e estrangulado até a morte.

A cultura do ódio transforma desejos em objetos que devem ser destruídos. Ainda existem os que acreditam que “homossexualismo” é uma doença. Doenças não se aceitam, se exterminam.

São décadas de um padrão construído em programas “despretensiosos” de TV, piadas homofóbicas “inocentes”, mundo policialesco que não gosta de “viadinhos” e até tem um discurso que justifica assassinatos do professor: o culpado foi ele por ter um “namoradinho”.

São bárbaros vestidos com o manto de Cristo. Jair Bolsonaro, abertamente homofóbico, foi eleito também por essa gente cheia de ternura e bondade, de ideias inconfessáveis, sufocadas.

Quanto valeu a vida do professor José Acioli?

O mesmo que nossa sociedade deu a de Renildo, Aparecido, Fábio.

Nada.

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