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Erika Hilton aciona MP contra governo Ratinho Jr.

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Um caso de extrema gravidade em uma escola cívico-militar de Cornélio Procópio, no Paraná, tornou-se o novo combustível de uma guerra pública que ultrapassa as fronteiras do estado.

A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) anunciou ter acionado o Ministério Público do Paraná (MP-PR) para investigar a conduta do governo de Ratinho Júnior (PSD) diante de denúncias de abuso sexual contra estudantes.

Segundo a parlamentar, um militar acusado de estupro de vulnerável permaneceu trabalhando na unidade escolar por dois anos após as primeiras queixas, chegando a ser transferido para o setor administrativo, onde teria acesso a dados sensíveis das vítimas.

A denúncia, que ganhou fôlego após uma reportagem da rede britânica BBC, aponta que o profissional teria vitimado ao menos nove alunas com idades entre 11 e 13 anos.

“Sabem qual foi a medida tomada? O militar foi transferido para o setor administrativo da mesma escola. Ou seja, um militar com porte de arma, acusado de estupro, passou a ter acesso aos endereços e imagens das vítimas”, disparou Hilton em suas redes sociais.

Para a deputada, o episódio é um sintoma do modelo cívico-militar paranaense, que, segundo ela, carece de controle por parte dos profissionais da educação e da comunidade escolar, configurando um “acinte ao dever do Estado de proteção integral da criança”.

Reação ácida e troca de acusações

A resposta do governo do Paraná veio em tom de contra-ataque pessoal. Em nota à imprensa e assinada pelo Secretário da Educação, a gestão Ratinho Jr. afirmou que “não vai gastar energia para tratar de tema antigo”, alegando que o funcionário já foi expulso à época dos fatos.

O texto, no entanto, subiu o tom ao listar gastos do gabinete de Erika Hilton com maquiadores e segurança, além de acusá-la de votar contra o aumento de penas para crimes hediondos.

“Na prática, a deputada é contra endurecer penas para crimes como estupro de vulnerável”, diz o comunicado oficial.

Erika Hilton rebateu afirmando que o caso teve pouca repercussão local devido à influência da família do governador na mídia regional.

“Se Ratinho quer falar sobre os direitos das mulheres, ele poderia começar dando suporte para que os profissionais de seus veículos façam a devida cobertura de um escândalo como esse”, pontuou a parlamentar, referindo-se ao apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, pai do governador.

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