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Entenda o que diz o relatório internacional sobre o caso Braskem em Alagoas

Foi apresentado nesta sexta-feira (8), em audiência pública realizada no auditório do Cesmac, em Maceió, um relatório técnico-científico internacional que analisa o fenômeno de subsidência — o afundamento do solo — causado pela mineração de sal-gema da Braskem. O estudo, elaborado por cientistas brasileiros e estrangeiros, sugere uma revisão urgente do mapa oficial das áreas atingidas, atualmente definido pela Defesa Civil Municipal.

Principais conclusões do relatório

O documento aponta que os dados utilizados para delimitar as zonas de risco apresentam limitações significativas e não refletem com precisão a realidade enfrentada por moradores de bairros como Flexais, Chã de Bebedouro e partes do Bom Parto. Segundo o geólogo Marcos Eduardo Hartwig, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, “os números médios indicam pouca movimentação, mas quando analisamos casos isolados, vemos que a situação é muito mais grave”.

O relatório utilizou dados de satélite e medições de campo entre junho de 2019 e dezembro de 2024. Os pesquisadores identificaram que a movimentação do solo já ocorria desde 2004, o que reforça a complexidade e a extensão do problema. Além de Hartwig, assinam o estudo os especialistas Magdalena Vassileva, Fábio Furlan Gama, Djamil Al-Halbouni e Mahdi Motagh.

Repercussão e ausência de autoridades

A apresentação do relatório gerou grande expectativa entre moradores das áreas não reconhecidas oficialmente como afetadas. Muitos esperam que o novo estudo traga respaldo técnico para reivindicações de indenização e reassentamento. No entanto, chamou atenção a ausência de representantes do governo estadual, da prefeitura de Maceió e de parlamentares locais. Apenas o deputado Cabo Bebeto, a vereadora Teca Nelma e uma representante do Ministério Público Federal estiveram presentes.

O defensor público Ricardo Melro destacou a importância do relatório como instrumento de pressão social e jurídica. “Se o estudo independente disser que está tudo certo, vamos aceitar. Mas se apontar falhas, as vítimas saberão que é hora de cobrar providências, seja da Prefeitura, da Defesa Civil ou na Justiça”.

Posição da Braskem

Em nota oficial, a Braskem afirmou que desde 2019 atua em Maceió com foco na segurança da população e no desenvolvimento de medidas para mitigar, reparar ou compensar os efeitos da subsidência. A empresa declarou que o monitoramento é feito dentro e fora do mapa oficial, com uso de equipamentos capazes de detectar movimentos milimétricos do solo. Até o momento, segundo a Braskem, não houve recomendação técnica para alteração do mapa de risco.

A Defesa Civil Estadual informou que ainda não teve acesso ao relatório, enquanto a Defesa Civil Municipal não se manifestou sobre o conteúdo do documento.

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