O Imparcial

Muito comum em países com avançados índices de educação como o Canadá, o ensino bilíngue não apenas desenvolve a fluência em um segundo idioma. Ele também contribui para um melhor aprendizado em geral, pois desenvolve capacidades cognitivas diferenciadas no aprendiz que o levam a construir conhecimentos de forma mais rápida e significativa, segundo atestam pesquisas.
O bilingüismo ainda é recente no Brasil e, infelizmente, restrito à algumas escolas particulares. Mas é comprovadamente um modelo de sucesso para o desenvolvimento de uma geração de jovens mais velozes no pensar e aprender, habilidades essenciais para fazer a diferença no atual mundo globalizado e cada vez mais competitivo e desafiador. E quanto mais cedo a criança tem acesso a esse processo de educação, tanto melhor.
Estudos feitos pelas psicólogas Ellen Bialystok e Michelle Martin-Rhee mostram que crianças bilíngües resolvem com maior facilidade certos quebra-cabeças mentais que envolvem processos de atenção, planejamento e resolução de problemas, comparadas com crianças da mesma idade não-bilingues.
Alber Costa, da Universidade Pompeu Fabra em Barcelona assegura que crianças que crescem em ambientes bilíngües adquirem a habilidade de rastrear as mudanças ao seu redor com mais detalhes que outras. E mais, o neuropsicólogo Tamar Gollan, da Universidade da Califórnia descobriu que idosos bilíngües apresentavam mais resistência ao desenvolvimento de transtornos como a demência ou o Alzheimer.
Quebrando paradigmas sobre o bilinguismo
Muitos pais se questionam se vale a pena colocar uma criança que mal aprendeu a falar e ainda não sabe ler nem escrever em sua língua mãe, em uma escola bilíngüe, onde ela irá ter contato com um segundo idioma, ainda nessa fase. Não seria perigoso? Não iria gerar uma grande confusão e atrapalhar o aprendizado da língua natural?
A experiência de 30 anos de sucesso do Canadá com o ensino bilíngüe mostra exatamente o contrário. Quanto antes começar melhor, e utilizando de preferência o método de imersão na segunda língua. As crianças canadenses que falam inglês, por exemplo, acham mais fácil aprender o francês como segundo idioma enquanto as suas habilidades na primeira língua (inglês) ainda estão em desenvolvimento. O aprendizado dos dois idiomas simultaneamente e em um ambiente de imersão leva também a uma melhora das habilidades de falar, ler e entender ambos os idiomas estudados.








