Repórter Nordeste

Enem vira esperança no 3º lugar mais pobre do Brasil

O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, mobiliza diferentes histórias, de brasileiros em luta pelo acesso ao curso superior, no país das desigualdades sociais e culturais.

Dois alagoanos em plataformas de vida diversas, deram as mãos para fazer a segunda etapa de provas, neste domingo 04 de novembro, em busca do sonho, da mudança de vida, do sentido de viver!

Esperança e insistência: as histórias do Enem

Pedro (esquerda) e Adeílson: desafios e superação

São eles Pedro da Silva Pereira, de 51 anos, cego há 29, em decorrência de acidente de trabalho em uma destilaria de alcóol, e Adeilson Silva de Almeida, com 18 anos e na segunda tentativa de fazer curso superior.

O primeiro, vencendo as dificuldades impostas pela cegueira na cidade de Maceió, despreparada na oferta de segurança e mobilidade às pessoas com deficiência, seja ela de qualquer tipo, preserva o sonho de estudar.

Ano passado tentou fazer Direito, mas não conseguiu a pontuação necessária. Agora tenta entrar na área de Educação.

O segundo, enfrentando as dificuldades de sobrevivência juvenil na terceira cidade mais violenta do mundo, com a descompensação de ser jovem, do sexo masculino, negro, e estar entre 15 e 25 anos de idade, o perfil do potencial assassinado maceioense divulgado em toda a mídia local e nacional.

Já perdeu ano passado a tentativa de fazer Química no IFAL. Hoje deseja uma vaga no curso de Geografia.

De braços dados, seguem! Tentam! Mobilizam esperança!

Como não ficar na torcida e desejar sucesso a ambos?

Ao mesmo tempo, como não lamentar o processo de exclusão que ainda seleciona aqueles que tiveram acesso a melhores estudos, ou seja, pagaram por eles?

A Pedro e Adeilson, desde já vencedores de guerras silenciadas em nosso contexto social perverso, nossa vibração por mais essa vitória! Axé.

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