Repórter Nordeste

Encontrando Mestre Zumba e seus imaginários


No acesso ao blog Negros, Canais, Lagoas e Outras imagens Periféricas, me permito interpretar e ler do lado de cá da minha própria subjetividade, “os imaginários alagoanos nos olhos de Mestre Zumba”, em parceria com o olhar do antropólogo Edson Bezerra, que diz:

“Sob o risco de discorremos sobre um personagem, do qual, enquanto negro e pobre poderia se pensar alheio a realidade e mergulhado nas fantasias de um mundo imaginário, torna-se necessário situarmos a trajetória de Mestre Zumba e nela, sua obra, e a partir dela, compreendermos as imagens de suas telas enquanto um relicário, um precioso registro da caminhada dos negros e dos mestiços alagoanos diante da histórica exclusão a quem têm sido historicamente submetidos.”

Minha curta trajetória de pesquisadora social, já deu a certeza de que massacre algum, por mais penoso aparente ser, detém vitória completa sobre o grupo ou ente subjugado. As formas mais diversas de reações e respostas são possíveis, e a cultura manteve aberto seus canais, pelos quais escorrem as mais diversas noções e sentidos, reabilitando o olhar antes controvertido de todos os ignorantes.

” Nascido na secular cidade de Santa Luzia do Norte em 1920, já aos 10 anos ficaria órfão de pai, sofrendo a partir daí, uma vida de privações e foi justamente em sua trajetória de retirante que, depois de uma breve estadia no Patronato Agrícola de Garanhuns, logo seria transferido para o grande Colégio de Pacas em Gravatá, Bezerros, quando ali conheceria o professor Edson Figueiredo – um misto de arquiteto, pintor e escultor, – que lhe despertaria a vocação para a pintura.”

” Pobre, desde cedo ele se enraizaria nas coisas alagoanas através de sua filiação aos cultos religiosos de matriz africana ali pelos entranhados dos terreiros de Santa Luzia do Norte em sua comunidade quilombola. Zumba era filho de santo e parente de Tia Marcelina, a matriarca do Candomblé alagoano e mártir de nossa cultura popular. Daí então se entende as figuras de negros imponentes espalhados em suas telas, e ele pintaria os negros alagoanos com uma devoção mística, enquanto negros altivos e negros brilhantes e que se apresentam, ora solitários, ora irmanados com outros negros espalhados em cenas urbanas.”

A negritude alagoana tem sido de resistente força simbólica, na recusa do uso mal intencionado de sua mensagem de fé e glória em todas as formas de beleza. Sem convenções, sem tradições novas, essa negritude abre as mãos para acolher mais, representar mais, promover mais vida! As telas de Mestre Zumba têm, por isso, vida própria.

” Na verdade, além ou aquém de qualquer estilo em que se possa situá-lo, a produção imagética de Zumba, a sua escrita tem que ser compreendida no universo da grande recusa que se incorpora em sua arte em seu papel de subverter a realidade. Com este entendimento, diante dos movimentos inerentes da modernidade na destruição das tradições, o que vai se constituir a partir de seu universo temático é um entranhamento nas tradições alagoanas transfiguradas através da construção de um imaginário composto e repleto de um mundo de luzes, de luzes dos brincantes, de luzes das bandeiras dos folguedos das culturas populares, de luzes marinhas e dos universos de todas as águas e de todas as festas alagoanas.”

Quem desejar encontrar mais de perto Mestre Zumba, sua história, seus olhares e telas, poderá seguir o caminho que me levou ao blog acima citado citado, pelo link: http://outrasimagensperifericas.blogspot.com.br/p/zumba_1.html

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