Pressionado pelos maiores empresários do país- preocupados com a falta de oxigênio e leitos nos hospitais para eles mesmos – Arthur Lira fez o que é interpretado como um discurso duro contra Bolsonaro.
Falou em “espiral de erros” na pandemia;
Disse ainda que “os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e são todos amargos. Alguns, fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável” (impeachment do presidente da República?);
-“Mais que nunca, é necessário manter e construir com os demais Poderes durante estes momentos dramáticos da pandemia e a observância fiel e disciplinada à vontade soberana desta Casa”.
Claro: Arthur Lira poderia ter feito esse discurso antes do país atingir os 300 mil mortos;
Antes de vermos 3 mil mortos num único dia;
No instante em que recebeu os governadores, ele teria espaço para fazer declarações mais contundentes.
Afinal não é segredo: Bolsonaro não é o responsável pela pandemia mas as iniciativas dele transformaram o Brasil em cemitério do mundo e celeiro de novas variantes do coronavírus.
Acuado, Arthur Lira agiu após carta conjunta de empresários, cobrando soluções.
Porque os empresários tambem são gente. Sabem que o colapso na saúde vai chegando na soleira de suas portas.
Eles e seus herdeiros estão em jogo.
O vírus é coerente, segue seu caminho.
Os homens é que parecem estranhos.
Arthur Lira viu seu pai, Benedito, com sintomas de coronavírus.
Não foi suficiente.
Lira assistiu 19 bebês internados na maternidade de Santa Mônica em Maceió, todos com o vírus.
Não foi suficiente.
Mas a pressão do mercado financeiro, esta sim, tocou o coração do deputado tratado com bajulação em Alagoas, como aquele que tirará o Estado da miséria.
Ilusões perdidas. Ele trabalha pelos seus interesses.
Arthur Lira também é coerente: sua voz é a voz da elite brasileira. Ontem, ela usou o corpo do parlamentar para dar o tom de suas frustrações.
O deputado deu o recado dessa elite a Bolsonaro.
Nos próximos dias veremos um Arthur Lira assumidamente advogado dos interesses mais mesquinhos.
E de costas para o Brasil real, aquele que chora e range os dentes cepados e exauridos; o Brasil dos órfãos, dos famintos e sedentos por soluções.
Arthur Lira é o chão da fábrica do centrão, onde prevalece a miúda política nacional do troca-troca de cargos.
O parasitismo é uma praga na história brasileira.





