Embarque para a Lua

O próximo veículo robótico a pousar na superfície lunar pode não ser iniciativa da Nasa e de seus especialistas em astronáutica, mas de alunos universitários e empresas privadas que trabalham com recursos bem menores

Michael Belfiore- Scientific American

Numa área enlameada coberta de pedregulhos às margens do rio Monongahela, em Pittsburgh, um robô em forma de pirâmide de quase 1,70 m de altura com câmeras que lembram olhos girava lentamente sobre quatro rodas de metal, acionado por um motor elétrico com um leve chiado. Num trailer próximo, alunos da Carnegie Mellon University amontoavam-se em torno de um laptop para observar o mundo pelos olhos do robô. Nas imagens preto e branco de baixa resolução na tela do laptop a paisagem sulcada se parecia um pouco com a Lua – o destino final do robô.

O professor de robótica da Carnegie Mellon William “Red” Whittaker e seus alunos construíram o jipe Red (em homenagem ao seu criador) para participar do X PRIZE Lunar da Google, competição criada para promover o papel de empresas privadas no espaço e inspirar a inovação na tecnologia de voos espaciais. O prêmio de US$ 20 milhões será entregue à primeira equipe não governamental que conseguir pousar um robô na Lua, fazer com que ele se desloque por cerca de 800 metros e enviar imagens de vídeo de alta definição para a Terra. Tudo isso até o final de 2015.

Um segundo prêmio de US$ 5 milhões, além de bônus para outras peripécias, como chegar ao local onde a Apollo pousou, eleva o valor a mais de US$ 30 milhões. Embora 26 equipes estejam competindo, o grupo de Whittaker claramente lidera essa corrida. Sua empresa, a Astrobotic Technology, foi a primeira a pagar antecipadamente para um foguete transportar sua nave e jipe para a Lua. Whittaker também se destacou na construção de veículos automatizados capazes de navegar em ambientes extremos.

O X PRIZE Lunar chega no momento da grande virada do programa espacial americano. Em 2010, seguindo as recomendações do Comitê de Revisão dos Planos de Voos Espaciais Tripulados, o presidente americano Barack Obama orientou a Nasa a encorajar empresas privadas proprietárias de artefatos espaciais ou que operassem espaçonaves a substituir os ônibus espaciais aposentados.

Com investimentos e verbas fornecidos pela Nasa partiu-se do princípio de que as empresas privadas estavam aptas a projetar e construir espaçonaves mais rapidamente e a custos mais razoáveis que as grandes empresas contratadas pelo governo. Com o mesmo espírito, o X PRIZE Lunar se propõe promover uma nova classe de missões planetárias privadas, utilizando naves menos dispendiosas e com comprometimentos políticos mais curtos – menores que um mandato presidencial. Os pesquisadores pagariam então às empresas privadas para lançar seus veículos robóticos e instrumentos. A Nasa forneceu seus próprios incentivos – um adicional de US$ 30,1 milhões, compartilhados por seis grupos para superar os desafios técnicos que tanto afetaram o desempenho de seus veículos robóticos como, por exemplo, sobreviver à gélida noite lunar. O destino de empresas privadas especializadas em voos espaciais pós-X PRIZE Lunar é bastante incerto e nem todos estão convencidos de que existe um mercado para esses serviços, mas os pesquisadores estão otimistas com a perspectiva de que a ciência espacial possa ser custeada por empresas comerciais.

.