Tanto a Novonor (ex-Odebrecht) quanto a Petrobrás detêm, juntas, mais de 90% das ações da Braskem, responsável por provocar uma tragédia ambiental em Alagoas: o afundamento de cinco bairros em Maceió, obrigando milhares de famílias a evacuar as áreas.
Crime ambiental e humano que também gerou desvalorização nos bairros vizinhos. Não há prédios novos em construção no entorno da área destruída pela Braskem.
Também não existe plano diretor regulando o que pode e não pode. Através de acordos esdrúxulos, a mineradora virou dona de 25% da capital alagoana e até de uma estação de tratamento, o Sistema Catolé.
Como dona que é das áreas, a Braskem vem realizando obras sem necessidade de prestação de contas. Também vem obtendo o aval ambiental para desfazer a fazer o que quiser.
Mas o pior mesmo é o silêncio. O silêncio do presidente Lula. De novo ele chega a Maceió, anuncia obras, casas, mas não dará uma palavra de força ou solidariedade para as famílias que perderam tudo, até a casa onde viviam.
E não foi um banco quem tirou o imóvel nem os sem terra invasores ou outros fantasmas do comunismo. Mas a Braskem.
Em novembro do ano passado o Governo anunciou acordo com a Braskem: R$ 1,2 bilhão pagos aos cofres públicos pelos prejuízos causados pela empresa, só que montante deve ser diluído em suaves prestações de 10 anos. Antes a Prefeitura de Maceió também fez seu acordo bilionário.
Ficaram de fora os moradores da áreas atingidas pela bomba da mineração. A Braskem continua em operação, sem extrair o sal gema e produzindo PVC e soda cáustica.
Ato final do escândalo: o presidente da República calado. Ele hoje inaugura casas em área bem próxima ao crime ambiental.
O riso fácil também pode ser encenado, como num teatro.





