A repórter Layra Santa Rosa mostrou na TV Mar, semana passada, como vivem as famílias despejadas de um edifício no Centro de Maceió e hoje arrastadas para o improviso no Benedito Bentes.
São os mais novos sem teto- mas com uma ordem de despejo cumprida- e jogadas para a falta de direito a casa, esgoto, escola para as crianças.
Esse contingente sempre esteve nas estatísticas.
21,5% dos alagoanos recebem até um quarto do salário mínimo: R$ 188 reais, segundo o IBGE.
Eles inventaram a proeza de sobreviver com o mínimo do mínimo no Estado onde os serviços públicos são os piores do Brasil.
Como se pode falar em democracia quando garantias mais básicas- um PAM Salgadinho aberto, por exemplo, e seus 110 médicos realizando seus trabalhos, são apenas uma ideia vaga?
O nome disso é melhoria das condições de vida dessa parte da população, aliada a crescimento e desenvolvimento.
Fora disso é apenas bobagem.
As famílias despejadas por ordem da Justiça- lá no Benedito Bentes- aguardam casas que talvez nem saiam este ano.
A elas sobra a manobra pela máquina do tráfico ou do voto.
Porque elas existem apenas nas estatísticas do submundo.
Como esperar que pessoas assim não queiram vender o próprio voto?
Ou não virem criminosos, traficantes de pequeno porte?
Seria hipocrisia pensar diferente.
A Justiça é justa para direitos relativos.
Todos têm direito a casa, comida e roupa lavada.
Menos alguns: os sem grana, por exemplo.
Um dos revelions privados em Maceió ocupou uma pista inteira, no bairro de Cruz das Almas.
Atrapalhou o direito de ir e vir.
Só que, à mercê dos poderes inertes em Alagoas, seguia invadindo a pista sob o beneplácito da elite pagante até o dia 4 de janeiro.
Pois é, direito de ir e vir…
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Na prática, a miséria e a ostentação são tão fundidas no mesmo palco que um homem que mora no esgoto e outro no luxo parecem ser de dois planetas diferentes.
Que a proteção social em 2016 vá além do Estado policialesco.
E tenhamos a vontade política para além de um discurso clichê ou adornando a boca de quem pede votos.
