Em missa de 7o dia, família de médico diz que lutará por Justiça

Nesta sexta-feira, o filho do médico, André Palmeira, voltou a responsabilizar o Governo do Estado pelo crime

A missa de sétimo dia-pela morte do médico Alfredo Vasco- realizada nesta sexta-feira na capela do São Lucas, no bairro de Mangabeiras- serviu para que a família mostrasse que vai continuar a pressão pela apuração do caso e a prisão dos envolvidos pelo crime.

Nesta sexta-feira, o filho do médico, André Palmeira, voltou a responsabilizar o Governo do Estado pelo crime. Na celebração, parentes e amigos lembraram a história profissional e familiar do médico.

No facebook, André Palmeira escreveu mensagem de agradecimento. E negou pressão do Governo- que terminou em pedido de desculpas feito pelo filho do médico durante manifestação na terça-feira (29).

Alfredo Vasco foi assassinado com um tiro nas costas, durante assalto, no Corredor Vera Arruda,  a poucos metros de um posto policial da PM desativado e a 500 metros da cobertura onde mora  o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

Veja mensagem completa

Amigos,

Escrevo-lhes para me manifestar sobre o divulgado de que eu teria feito um “acordo com o Governo para pedir-lhe desculpas”. Isto não é verdade.

Desde a morte do meu pai, grupos na rede social têm cumprido uma missão muito relevante, seja no apoio incondicional à minha família, seja no despertar da consciência dos alagoanos. A passeata foi uma prova do que estou falando.

No entanto, mensagens descabidas e impensadas como as que disseram ser a sociedade alagoana “hipócrita” por pedir Paz em virtude da morte de um “suposto velhinho rico que mora à beira mar” e que “todos os dias morrem pretos e pobres e ninguém faz nada”. Isto é pura incitação ao ódio, à desunião entre as vítimas da violência.

Quero deixar bem claro que nem eu, nem meus irmãos e minha mãe somos políticos. Meu pai era professor, médico e funcionário público que tinha como bens um carro popular e a casa onde morava. Era um homem pacífico e cheio de vida.

A nossa luta é por uma Alagoas mais segura e justa e para pedir justiça para todos os alagoanos, independentemente de cor, idade e classe social.

O mais importante é um movimento por uma Alagoas mais segura ganhar força através da resposta do povo contra a morte de uma pessoa. Onde mora, idade, condição social da vítima – nada disso tem relevância alguma. Reagir contra a insegurança geral é o que importa. Alimentar polêmicas desse tipo, meus amigos, só enfraquece a luta da sociedade.

Não nos esqueçamos que esse crime brutal foi motivado para roubar um bicicleta velha, em plena luz do dia, numa área cercada por bares, prédios e repleta de crianças.

Meus amigos: sou uma pessoa responsável e independente. Jamais, jamais faria da morte do meu pai moeda de troca política ou de intimidação pessoal contra quem quer que seja.

O governo é responsável, e muito, pela morte do meu pai, por ser a principal autoridade responsável pela segurança pública. Em nenhum momento retiro a sua culpa, daí meu protesto.

Temos evitado encontros com representantes governamentais e de grupos de oposição para que nossa dor e nosso protesto não venham a se transformar em moeda política. Nossa pressão, de forma inteligente e pacífica, não vai parar. Assim como não vai parar o chamado para cada um dos alagoanos não ficar omisso na luta por uma Alagoas mais justa e segura.

O que fiz, simplesmente, numa demonstração de humildade, mas sem perder a firmeza do meu propósito de luta por uma Alagoas mais segura, foi retirar a expressão assassino atribuída à pessoa do Governador. Mesmo porque ele também é pai e cidadão. Como disse na passeata, retirava aquela acusação, feita num momento de enorme estresse emocional, porque meu pai, um homem da Paz, jamais concordaria que um de seus filhos usasse palavras que incitassem a violência ou que agredisse pessoalmente alguém.

Para que não pairem dúvidas sobre minha independência e caráter, quero deixar bem claro a toda a sociedade: o governo é sim responsável pela morte do meu pai e por todas as demais mortes de inocentes, por todas as vítimas da violência em Alagoas. Não vamos parar nossa luta e a pressão política inteligente, pacífica e focada só está começando.
Obrigado a todos.

01 de junho de 2012
André Palmeira Tenório

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