Ícone do site Repórter Nordeste

Em CPI, jornalista se contradiz e é chamado de vagabundo

Na primeira pergunta do relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), o jornalista Luiz Carlos Bordoni, que denunciou pagamentos feitos na campanha do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) com recursos de empresas de fachada, se contradisse com relação ao que havia afirmado momentos antes.

As informações são da Folha de São Paulo. Assista.

Jornalista provoca e congressistas o xingam de “vagabundo” 

Num primeiro momento, ele afirmou que não havia recebido dinheiro da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) em 2010, por meio da empresa Art Mídia, como sustenta o tucano.

A campanha de Perillo registrou no TSE o pagamento de R$ 33 mil para essa empresa e alega que foi esse o valor repassado pelos serviços de Bordoni.

Bordoni chegou a afirmar que “engoliria” a nota fiscal da Art Mídia se o nome dele constasse na nota fiscal. Depois, ao ser questionado pelo relator da CPI, afirmou que recebeu R$ 30 mil da campanha por meio da Art Mídia. O relator não questionou a contradição.

Segundo o jornalista, ele não apresentou notas fiscais do trabalho prestado à campanha de Perillo. “Não há contrato de prestação de serviço quando você é amigo”, justificou. E revelou que recebeu R$ 40 mil das mãos do governador.

O dinheiro, na sua versão, estava dentro de um frigobar e foi colocado num envelope amarelo pelo tucano. O jornalista disse que trabalhou em todas as campanhas de Perillo, mas apenas na última o acerto foi feito diretamente com o governador. No total, ele teria recebido R$ 160 mil da campanha.

Ele admitiu à CPI que não declarou no seu imposto de renda os R$ 40 mil que diz ter recebido em dinheiro do governador. Perguntado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT) se havia declarado o valor, disse primeiro: “sim senhor”. Depois, recuou: “Não declarei”.

Bordoni sugeriu à CPI que investigue o irmão do governador, Antonio Perillo, e “siga os passos” de uma consultora financeira de “graúdos e famosos” citada em conversas de Cachoeira. Entre os clientes da consultora, disse, estariam Lady Gaga.

Irritação

Durante o depoimento, o jornalista causou irritação dos congressistas ao afirmar que alguns deles não teriam interesse em investigar a relação de Carlos Cachoeira com políticos. “Alguns dos senhores não estão preocupados em esclarecer coisa alguma”, afirmou.

Logo após proferir a frase, alguns parlamentares deram murros na mesa em protesto. “É um vagabundo”, gritou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR). “Vagabundo”, emendou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Ao lado de Bordoni, o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), cochichou no ouvido do depoente. “Se comporte”. O presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) interveio. “Entendo as emoções de vocês [congressistas]. Espero que o senhor tenha mais respeito com essa comissão”, afirmou

Sair da versão mobile