Repórter Nordeste

‘Para mim, segurança é enterrar o corpo do meu filho’, diz pai

Pai do servente de pedreiro Carlos Roberto Santos, assassinado em agosto de

Sebastião dos Santos e as fotos do corpo do filho: 'Segurança é achar meu filho e enterrá-lo em paz'

2004, o funcionário público Sebastião dos Santos- uma das vítimas do descaso do Instituto Médico Legal Estácio de Lima, Maceió, que sumiu com o corpo do filho dele- e cujo prédio foi depredado na semana passada pela população revoltada- repetiu o ritual macabro desde a morte do filho: exibir as fotos do corpo do jovem, despedaçado por balas.

Desta vez, no festivo lançamento do programa Brasil Mais Seguro- o mais novo plano de segurança do Governo Federal, em parceria com o estadual.

“Só quero o corpo do meu filho. Para mim, paz e segurança é só isso”, disse- enquanto era barrado por seguranças do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acompanhava a destruição de duas mil armas.

O filho de Sebastião foi morto por integrantes da milícia do vereador Luiz Pedro da Silva (PMN), que foi preso e solto, mas responde pelo crime.

Em 2004, o filho dele foi assassinado; a esposa de Sebastião não aguentou a luta por justiça e morreu. A ex-nora, Alessandra Cristina Costa, teve que abandonar os filhos dela com o funcionário público. Isso para salvar a própria vida: ela foi a única testemunha do assassinato.

Ano passado, o IML- depois de três anos- concluiu a sindicância sobre o sumiço do corpo do servente de pedreiro das pedras do instituto: “Concluiu que o corpo não sumiu, ou seja, não houve ocultação de cadáver”.

Ocultação de cadáver é um dos quatro crimes pelo qual é acusado o vereador. Além dele, assassinato, formação de quadrilha e sequestro.

Sem corpo, não existe crime. Mas, através de exames de DNA nas balas que mataram o filho do funcionário público, descobriu-se que o sangue era mesmo de Carlos Roberto Santos.

Fotos da necropsia apareceram. O corpo pode ter sido enterrado como indigente, mas as circunstâncias nunca foram esclarecidas. São estas fotos usadas por Sebastião para mostrar que o corpo do filho continua sumido.

O vereador Luiz Pedro da Silva já havia sido preso por este crime, antes do pedido do TJ ano passado. Candidato a vereador, ele conseguiu gravar, na prisão, sua aparição na TV no horário eleitoral gratuito, através de uma câmera de celular. A Polícia Civil nunca conseguiu esclarecer como o vídeo foi feito. Solto por uma liminar, conseguiu ser diplomado para a Câmara.

O servente de pedreiro foi arrastado de sua casa, no dia 12 de agosto de 2004 e morto com 21 tiros. Sebastião dos Santos passou a fazer uma peregrinação em todos os órgãos públicos de Alagoas.

Luiz Pedro da Silva sempre negou a autoria do crime.

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