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‘Efeito Bolsonaro’ põe capitais do Nordeste em risco na pandemia

Maceió flexibiliza o isolamento social a partir desta sexta-feira mas não é a única capital nordestina a ceder à pressão do empresariado e ignorar os mais de 80% de suas UTIs lotadas na pandemia.

Em verdade, segue-se o “efeito Bolsonaro”: sob a justificativa da economia não quebrar e fazendo crer que somente velhos ou “fracos” integram o grupo de risco da Covid-19, os governadores do Nordeste apostam no custe o que custar. E acabam contrariando as orientações do Consórcio Nordeste, um colegiado criado antes da pandemia mas que cresceu de importância ao agregar cientistas e pesquisadores para ditar os rumos contra o coronavírus e mantidos pelos estados nordestinos.

O Consórcio insiste em medidas mais pesadas de isolamento social, apesar de reconhecer que, no caso de Maceió, existe crescimento moderado de casos novos.

Só que o problema está na ocupação dos leitos de UTI. A capital alagoana ainda é referência em tratamento de saúde em todo o Estado e é para os hospitais de Maceió que são transferidos muitos doentes, em especial os que precisam de UTI.

Cidades importantes do interior como Palmeira dos Índios (62%) e Arapiraca (77%) apresentaram taxas altas de crescimento de casos. O mesmo aconteceu com cidades menores como Campo Alegre, com 310% de aumento de casos, que continuaram apresentando crescimento expressivos de casos, segundo o G1.

O Consórcio Nordeste recomendou lockdown em Maceió, mas também em Salvador, Feira de Santana, Itabuna e Teixeira de Freitas (BA), Aracaju (SE), Caruaru (PE).

O Brasil ultrapassa 60 mil mortos na pandemia. E Jair Bolsonaro, na construção do seu país fictício, colocou o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, mais uma vez para tocar sanfona, com o tema Riacho do Navio, imortalizada por Luiz Gonzaga, para comemorar a inauguração de uma obra da transposição do São Francisco no Ceará que estava 90% pronta antes de Bolsonaro.

Conhecido por punir o Nordeste que o derrotou na disputa presidencial, o “efeito Bolsonaro”- ignorar a pandemia e fazer festa em cima dos corpos pode ser debitado na conta dos governadores.

Governadores taxados de “paraíba” nos tempos em que Bolsonaro era bocudo e a prisão do Fabrício Queiroz não havia enquadrado a língua de Vossa Excelência.

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