Mônica Santos é professora da UFAL – Campus Sertão
É um princípio constitucional o dever de respeitar e o direito ao respeito. Na educação em particular, a LDBEN 9394/96 corroborando com o princípio constitucional assegura o direito à diferença e o respeito à diversidade de todo tipo, bem como, estabelece que o ato de educar recai sobre a família e sobre o Estado.
No espaço privado, no meu lar por exemplo, eu posso educar como eu quiser, segundo meus preceitos morais e gosto individual. Já no espaço público, o ato de educar precisa seguir o disposto na constituição e na LDBEN, a partir dos quais, os preceitos morais individuais, por mais salutares que sejam, perdem espaço para a ética coletiva, ou seja, para a vontade coletiva determinada em lei.
Infelizmente, no entanto, algumas pessoas, confundem as categorias público/privado e querem forçar a ética coletiva a se dobrar à moral individual, ou de um grupo minoritário.
A comunidade de fé, mesmo que represente um grupo – por menor ou maior que este grupo seja -, não pode deixar de respeitar os princípios constitucionais. Deste modo, não pode impor o desejo individual do grupo, sobre a ética geral da sociedade.
Na educação, praticada no espaço público, a exemplo da escola, impor a vontade da comunidade de fé sobre todos os usuários deste direito público subjetivo é praticar o proselitismo, e a LDBEN 9394/96 em consonância com a Constituição Federal de 1988, proíbem veementemente.
Faço uso deste pequeno prólogo para comunicar aos desavisados que, por melhores que sejam as intenções da religião A, B ou C, estas não podem se sobrepor ao direito da coletividade sobre o estudo da diversidade sexual, identidade de gênero e orientação sexual.
O estudo pressupõe o debate sobre o tema. Estudar o tema, não significa doutrinar as crianças ou torná-las homossexuais. Não condição da escola, por meio do estudo tema, criar uma sociedade de homossexuais, assim como nunca houve na história, uma sociedade exclusivamente heterossexual.
Na escola, os alunos vão poder aprender de modo responsável e respeitoso, o que significa cada conceito, o que pensam as religiões a esse respeito, como evitar doenças e como se defender de certos abusos e discriminações independentemente de sua orientação sexual. Até porque, o espaço público serve para dar voz e vez a todos os posicionamentos, sem a sobreposição de um sobre o outro.
Eu particularmente fui educada segundo a moral cristã, e a partir dela aprendi que faz parte do cristianismo antes de tudo amar e respeitar, com base nisso não posso discriminar, nem usar a doutrina como justificativa para punir os diferentes, que pensam e agem diferentemente de mim.
O pensamento único é um perigo que a história da humanidade já demonstrou aonde ele pode levar, há tanta fome e miséria no mundo que merecem bem mais atenção e caridade cristã do que a preocupação com a vida íntima dos outros.
Eu pergunto: é mais importante incomodar-se com os jovens que cometem suicídio por não serem aceitos, ou com a ida íntima dos outros?
É um absurdo que em pleno século 21 pai e filho sejam alvo de homofóbicos por estarem abraçados em público e que um beijo incomode mais que o abandono de uma criança.
Se o cristianismo prega “Eu vim para que todos tenham vida. e todos tenham vida plenamente” então por que alguns cristãos pregam o ódio aos irmãos que pensam diferente e negam a vida em plenitude para qualquer um que não siga a doutrina? A partir da fé cristã, me pergunto quem vale mais, Cristo, ou a doutrina?
O mundo está mudando e algumas pessoas insistem em defender uma moral do período medievo, a qual já não respondia à época àquelas particularidades, quanto mais agora, em que vivemos em outro período.
Para que a sociedade possa avançar para além dos desejos individuais, é preciso e a escola cumpra o papel de educar a coletividade com base no respeito à ética coletiva.
Todos têm o direito de dar e receber carinho, todos têm o direito de amar! Negar esse direito é antes de tudo a humanidade que há em cada sujeito singular.
Negar a humanidade do outro é negar a própria humanidade e caminhar rumo à barbárie!




