A engenharia política montada pelo governador Tarcísio de Freitas para as eleições de 2026 enfrenta um forte foco de instabilidade vindo do exterior. Mesmo morando nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro tem provocado ruídos na base governista ao tentar impor o nome de seu aliado leal e ex-assessor, Gil Diniz (deputado estadual conhecido como “Carteiro”), para uma das duas vagas ao Senado por São Paulo.
A movimentação de Eduardo contraria o plano original de Tarcísio, que já havia costurado um acordo com os partidos aliados. O objetivo do governador é lançar uma chapa competitiva e coesa, tendo como prioridade máxima o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP).
Dentro dessa estratégia, a segunda vaga caberia ao PL, mas o Palácio dos Bandeirantes prefere nomes com maior musculatura eleitoral, como a deputada Rosana Valle — que conta com o apoio de Michelle Bolsonaro — ou o ex-ministro Ricardo Salles, atualmente no Novo.
Segundo a análise de Pedro Venceslau, da CNN Brasil, a insistência em Gil Diniz é vista por caciques da direita paulista como um retrocesso, já que o parlamentar não é considerado competitivo para uma disputa majoritária desse porte.
O impasse abre espaço para figuras como Marco Feliciano e o coronel Mello Araújo, enquanto Salles resiste a migrar para o PL para compor a “chapa dos sonhos” do entorno de Derrite.
O maior temor dos aliados de Tarcísio é que a fragmentação da direita facilite o caminho para a esquerda. Estrategistas ligados ao governo federal já cogitam lançar uma candidatura única ao Senado para evitar a divisão de votos, inspirando-se no revés de 2018, quando a fragmentação do campo progressista permitiu a eleição surpresa de Major Olímpio.
Enquanto a direita se desentende sobre quem ocupará a segunda vaga, o grupo de Lula observa a oportunidade de reconquistar espaço no maior colégio eleitoral do país.
