O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) intensificou as críticas contra os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Júnior (PSD-PR), acusando-os de omitir a defesa da anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. As declarações foram feitas após os dois governadores participarem de um evento econômico em São Paulo, onde discutiram os impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Durante o encontro, Tarcísio e Ratinho Jr manifestaram preocupação com o chamado “tarifaço” anunciado pelo presidente Donald Trump, que prevê taxas de até 50% sobre produtos brasileiros. Ambos defenderam negociações diplomáticas para reverter as medidas, mas evitaram mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro ou a proposta de anistia aos seus aliados. A postura foi duramente criticada por Eduardo, que está nos Estados Unidos desde março.
Nas redes sociais, o deputado afirmou que ignorar a dimensão política do problema é “prolongar o sofrimento de vários brasileiros”. Ele compartilhou trechos da fala de Ratinho Jr, que declarou que “Bolsonaro não é mais importante que a relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil”, e rebateu dizendo que Trump fez declarações públicas, enviou cartas e publicou mensagens em defesa de Bolsonaro e seus apoiadores.
Eduardo também criticou Tarcísio por tratar o tema das tarifas como uma questão técnica, sem abordar o que chamou de “perseguição política” promovida pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a ausência de menções à anistia revela uma tentativa de “jogar para a plateia” e evitar o enfrentamento da crise institucional.
As críticas ocorrem em meio à disputa interna no campo da direita, com Tarcísio e Ratinho Jr sendo cotados como possíveis candidatos à Presidência em 2026. Eduardo, por sua vez, tem se posicionado como defensor da ala mais radical do bolsonarismo, exigindo lealdade à pauta da anistia e à figura do ex-presidente.
O episódio evidencia o racha entre os aliados de Bolsonaro e levanta dúvidas sobre a coesão do grupo para as próximas eleições. Enquanto governadores buscam soluções diplomáticas para a crise comercial, Eduardo insiste que qualquer negociação com os Estados Unidos deve incluir a reversão das medidas judiciais contra os bolsonaristas.
