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É possível raciocinar sobre fé?

Estamos em marcha, sob a batuta incansável das encarnações, materializando o projeto divino no qual acreditamos como absolutamente amoroso, apesar das dores grandes, pequenas e até imensas que cercam nossas estradas salpicadas por momentos de felicidade.

O cristianismo nos disse que a felicidade não é desse mundo, talvez acreditemos, talvez não queiramos acreditar, pois sempre a buscamos; assim confirmamos as incertezas, as dúvidas que rondam esta relação que na forma mais ortodoxa nos induz a negar impulsos que parecem mais humanos do que angelicais, e por isso mesmo causam temores, negações.

Não tem sido fácil simplificar este convívio, pois o chão material traz as mazelas da vida social de modo implacável, e as condições postas para a divinização do ser opõem realidade projetada e vivência possível.

Eis o campo aberto para o trabalho da razão, no território do espírito confuso, vestido de subterfúgios e devoções. A fé raciocinada não parece agradar maiorias, mesmo quando enchemos a boca de seletivos jargões. A alma quer abrigo, amparo, orientações que assegurem algum tipo de bem aos que passam pela Terra, mesmo que a herança seja alcançada somente no “céu”.

O mapa das nossas fomes é ininterrupto, embora montanhoso e marcado por profundas depressões.

Assim essa natureza inquieta que se decepciona nas tragédias e exulta nas conquistas, não permite que os ciclos se desloquem, atualizando rotas psíquicas, cognitivas, intelectuais, intuitivas, e tem preferido o caminho circular, velho conhecido das referências eleitas como garantidas.

A dor individual tem sido profunda, e as lágrimas do mundo embaçam as coletividades, denunciando inclinações mantidas. A reencarnação não faz mágica, abre possibilidades, assim como as relações podem transformar o teor do que sentimos, contudo, o que pede razão, não pode ser burlado pelas crenças e tradições.

O senso de mérito pede transformações, se revela contaminado por teorias e tendências, talvez por isso a ideia comum de reforma íntima atenda menos do que imaginamos aos requisitos evolutivos aos quais nos candidatamos.

O amanhã da Terra talvez fosse um ponto nevrálgico para os seus habitantes, mas o poder dominante distrai possíveis pensadores, induzindo intenções – mesmo as boas, aos terrenos controláveis, observáveis. E talvez os conceitos de treva também estejam defasados.

Perdidos nas alegorias da Idade Média ainda não associamos a ruindade ao espírito do poder moderno. Caçamos culpados entre os ignorantes e liberamos a naturalização da fome, do adoecimento, da morte precoce e evitável, como partes naturais da vida em sociedade.

A treva continua negra, segurando tridente, e a miséria não nos parece efeito trevoso.

Onde está a razão no século XXI?

Qual Espiritismo faz pulsar os nossos corações?

Atualizar entendimento é amar a clareza que nos deixam os rastros da verdade eterna, que passa pelas encarnações e reencarnações como os cometas tingem de luz fugaz o espaço.

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