Doutrina Monroe retomada: Trump foca na América Latina e reduz papel global

O governo do presidente Donald Trump divulgou nesta sexta-feira (5) a nova Estratégia de Segurança Nacional, documento que delineia uma significativa correção na política externa dos Estados Unidos: o país passará a focar mais intensamente na América Latina e irá se afastar de seu papel de “policial global”, transferindo responsabilidades militares e de defesa para aliados regionais.

A estratégia promete um “reajuste de nossa presença militar global” para enfrentar ameaças urgentes no Hemisfério Ocidental, afastando o foco de teatros cuja relevância para a segurança nacional americana diminuiu. A publicação ocorre em meio a uma ampla mobilização militar no Caribe e uma escalada de tensões contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro, formalizando o combate a cartéis de drogas latino-americanos como prioridade.

Retomada da Doutrina Monroe e Pressão na América Latina

O documento expõe de modo veemente o objetivo de reforçar a influência dos EUA na América Latina e reduzir ao máximo a presença de países não-ocidentais na região. Para isso, os EUA buscam “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, prometendo uma “retomada poderosa” do poder sobre a região.

A Doutrina Monroe, cunhada pelo presidente James Monroe, prevê a “América para os americanos”, encarando qualquer tentativa de “recolonização” ou influência por outros países como uma ameaça direta aos EUA. A estratégia é clara: “Negaremos a competidores de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos de importância estratégica em nosso Hemisfério”.

O realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais:

  1. Presença Marítima: Uma presença mais adequada da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, conter a migração ilegal, reduzir o tráfico de pessoas e drogas, e controlar rotas de trânsito essenciais.

  2. Ações de Força: Ações direcionadas para proteger a fronteira e derrotar cartéis de drogas, incluindo, “quando necessário, o uso de força letal” para substituir a estratégia anterior baseada apenas na aplicação da lei.

  3. Acesso Estratégico: Estabelecer ou ampliar o acesso em locais de importância estratégica na região.

Embora o documento reconheça que a influência de alguns países, como a China — maior parceiro comercial do Brasil e com forte presença na região —, “será difícil de reverter”, os EUA apostarão em seu apelo como o parceiro econômico e de segurança preferido do Hemisfério.

Compartilhamento de Responsabilidades e Foco em Taiwan

A estratégia de Trump busca uma “correção de conduta” em relação às gestões anteriores, que, segundo o documento, procuraram a dominação global e sobrecarregaram o país. A “transferência de responsabilidades” para aliados é um dos grandes focos, visando diminuir os custos de defesa para os EUA.

  • Leste Asiático: O plano prevê “reforçar e fortalecer” a presença militar na região, com um “grande foco” em Taiwan devido à sua dominância na produção global de semicondutores. Além disso, pediu a Japão e Coreia do Sul um aumento nos gastos em Defesa e mais investimentos militares para dissuadir adversários.

  • Oriente Médio: A estratégia é “mudar responsabilidades e construir a paz”, diminuindo o foco após o bombardeio a instalações nucleares do Irã e o acordo de paz na Faixa de Gaza. O governo buscará apoiar-se em parceiros locais que demonstrem compromisso em combater o radicalismo.

O documento também critica a Europa por suas políticas migratórias e estabelece o controle de fronteiras como “o elemento principal da segurança” americana, prometendo acabar com as migrações em massa no mundo.

*Com Agências

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