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Do Galo à Sapucaí: a maratona de Lula sob a lupa da Justiça

Brasília (DF), 01/07/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Carnaval de 2026 não será apenas de confete e serpentina para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pleno ano eleitoral, o petista deu início nesta sexta-feira (13) a uma agenda frenética que cruza o país, misturando entregas de governo, alianças políticas estratégicas e uma homenagem na Marquês de Sapucaí que já nasceu cercada de polêmica jurídica.

Com passagens por Recife, Salvador e Rio de Janeiro, a maratona presidencial é vista por aliados como uma demonstração de força popular e, pela oposição, como um palanque antecipado de alto risco.

A jornada começou em Pernambuco, com uma agenda técnica na fábrica do Aché Laboratórios, mas o clima esquenta mesmo no sábado (14).

No Galo da Madrugada, maior bloco do mundo, Lula deve protagonizar um equilibrismo político ao dividir o camarote com a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB).

Ambos disputam as atenções e o apoio do presidente para o governo estadual, transformando o trio elétrico em um termômetro para as urnas de outubro. De lá, o presidente voa para a Bahia, onde reforça os laços com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) no tradicional circuito Campo Grande.

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O ponto alto, e mais sensível,  da viagem ocorre no domingo (15), no Rio de Janeiro. Antes da folia, Lula cumpre agenda social com a inauguração do Centro de Emergência Regional no Hospital Federal Cardoso Fontes.

À noite, contudo, os holofotes se voltam para o Sambódromo. A Acadêmicos de Niterói entra na avenida com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

A primeira-dama, Janja, confirmou presença no desfile, enquanto o presidente assistirá à homenagem do camarote da Prefeitura, cercado por uma comitiva de peso que inclui Gleisi Hoffmann, Edinho Silva e líderes do PT e PDT.

Essa proximidade com o desfile colocou as cortes de Brasília em alerta. A oposição, encabeçada pela senadora Damares Alves (PL-DF), acionou o TSE, o TCU e o Ministério Público, alegando promoção pessoal com uso de verba pública, citando o contrato de R$ 12 milhões da Embratur com a Liesa.

Embora o TSE tenha negado por unanimidade a liminar para barrar o samba-enredo, evitando o que chamou de “censura prévia”, os ministros deixaram claro que o processo continua aberto.

O veredito final sobre se a festa configurou propaganda antecipada só virá após o término da apuração.

Viagem internacional no horizonte

Sem tempo para o descanso da Quarta-feira de Cinzas, Lula encerra sua participação na folia já na segunda-feira (16).

O retorno antecipado a Brasília tem motivo oficial: na terça-feira (17), o presidente embarca para uma missão internacional na Índia e na Coreia do Sul.

Entre o samba e a diplomacia, o governo tenta capitalizar a imagem do “presidente do povo”, enquanto a Justiça Eleitoral observa atentamente se a linha entre a cultura e a campanha será atravessada na passarela do samba.

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