O Carnaval de 2026 não será apenas de confete e serpentina para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pleno ano eleitoral, o petista deu início nesta sexta-feira (13) a uma agenda frenética que cruza o país, misturando entregas de governo, alianças políticas estratégicas e uma homenagem na Marquês de Sapucaí que já nasceu cercada de polêmica jurídica.
Com passagens por Recife, Salvador e Rio de Janeiro, a maratona presidencial é vista por aliados como uma demonstração de força popular e, pela oposição, como um palanque antecipado de alto risco.
A jornada começou em Pernambuco, com uma agenda técnica na fábrica do Aché Laboratórios, mas o clima esquenta mesmo no sábado (14).
No Galo da Madrugada, maior bloco do mundo, Lula deve protagonizar um equilibrismo político ao dividir o camarote com a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB).
Ambos disputam as atenções e o apoio do presidente para o governo estadual, transformando o trio elétrico em um termômetro para as urnas de outubro. De lá, o presidente voa para a Bahia, onde reforça os laços com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) no tradicional circuito Campo Grande.
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O ponto alto, e mais sensível, da viagem ocorre no domingo (15), no Rio de Janeiro. Antes da folia, Lula cumpre agenda social com a inauguração do Centro de Emergência Regional no Hospital Federal Cardoso Fontes.
À noite, contudo, os holofotes se voltam para o Sambódromo. A Acadêmicos de Niterói entra na avenida com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
A primeira-dama, Janja, confirmou presença no desfile, enquanto o presidente assistirá à homenagem do camarote da Prefeitura, cercado por uma comitiva de peso que inclui Gleisi Hoffmann, Edinho Silva e líderes do PT e PDT.
Essa proximidade com o desfile colocou as cortes de Brasília em alerta. A oposição, encabeçada pela senadora Damares Alves (PL-DF), acionou o TSE, o TCU e o Ministério Público, alegando promoção pessoal com uso de verba pública, citando o contrato de R$ 12 milhões da Embratur com a Liesa.
Embora o TSE tenha negado por unanimidade a liminar para barrar o samba-enredo, evitando o que chamou de “censura prévia”, os ministros deixaram claro que o processo continua aberto.
O veredito final sobre se a festa configurou propaganda antecipada só virá após o término da apuração.
Viagem internacional no horizonte
Sem tempo para o descanso da Quarta-feira de Cinzas, Lula encerra sua participação na folia já na segunda-feira (16).
O retorno antecipado a Brasília tem motivo oficial: na terça-feira (17), o presidente embarca para uma missão internacional na Índia e na Coreia do Sul.
Entre o samba e a diplomacia, o governo tenta capitalizar a imagem do “presidente do povo”, enquanto a Justiça Eleitoral observa atentamente se a linha entre a cultura e a campanha será atravessada na passarela do samba.








