O país está vivendo um momento político tenso, com uma proposta de ressignificação da democracia pela imposição de correlação de forças, a partir do Congresso Nacional, em explícito desrespeito ao povo e à Constituição Brasileira.
Mas aos políticos carreiristas em geral o que menos importa no processo político é o povo, a quem eles tentam ludibriar de todas as maneiras. Seja ocultando informações importantes, seja abarrotando de informações falsas e irrelevantes.
A viciação do eleitor está em paralelo com o empobrecimento do mesmo, resultado dos antigos projetos de currais eleitorais, que nos interiores do Brasil ainda vigoram.
As redes sociais refletem parcamente o que de fato acontece nos intestinos dos currais.
Desde 2016 o Congresso testa sua força e a fraqueza da verdade.
Conseguiu invalidar 54 milhões de votos com uma justificativa mentirosa que em apenas alguns meses já não importava nada. Uma presidente eleita foi tornada alvo de chacotas por um parlamento mafioso. O país entrou na rota da perda de direitos e ainda não conseguiu parar de descer.
Os deputados federais e senadores brasileiros se revelam uma praga que infesta o sistema eleitoral, e desde agora articulam suas manutenções. Por que o povo não enxerga isso?
Porque é o mesmo povo que ao longo da história do país foi analfabetizado politicamente, como parte do projeto de validação eleitoral do poder dominante.
No pós-64 a nação foi impedida de conhecer ativismo político militante com outras características, senão as conservadoras. Muitas violências, reveladas ou não, ensinaram que se vota em quem os donos mandam.
A região Nordeste vota mal? Sim, vota muito mal para deputados e senadores, e faz paralelo com as outras regiões. O Sudeste iniciou o golpe pseudo-parlamentarista com Eduardo Cunha, o manobrista que recebeu força do judiciário para retirar Dilma Rousseff pisando sobre os votos que a elegeram, vindo do mesmo porão que Jair Bolsonaro, uma idiossincrasia nazi-fascista que gerou ganchos com o que existe de pior no mundo da ambição.
O Sul e o Norte não deixam barato em truculência, exibindo parlamentares armamentistas, anticiências e antivacinais, que estremecem qualquer ideia original de República.
Mas será que Alagoas e Paraíba estão prontas para o mea culpa imediato?
Os nomes que representam o lado irrecuperável da força estampam Arthur Lira e Hugo Motta. Dois estados do Nordeste na berlinda, quando o país começa a despertar para os malefícios fenomênicos do Centrão, o sugador de emendas/dinheiro público insaciável.
Por mais que se atribua às redes sociais os poderes para sacudirem o mundo, afirmamos que estes dois personagens, na representatividade da maioria deste parlamento, já estão fechando acordos de futuro com prefeitos e vereadores, mapeando os currais que os mantém em Brasília.
No final do conto, a culpa é do eleitor e da eleitora. Que aceita empregar a família na prefeitura por um salário sem peso, sendo demitido a cada novembro para não receber décimo terceiro salário e renovando contrato em janeiro sob humilhações, à custa de eleger quem o prefeito manda.
O Brasil é tão antigo no jeito de concentrar poder político, que somente uma apatia social de nível máximo segura o fio da alienação.
Esse arcaísmo, porém, segue mantendo o luxo das autoridades e suas famílias acostumadas a usufruir riquezas sem esforço, por estarem alocados em instituições de interesse público utilizadas para o interesse privado grupal.
Sem subversão não haverá saída. Sem contestação não haverá esperança de cidadania. Nenhum de nós, que não estamos nas mesas de negociação sustentadas pela riqueza da nação está em situação segura. Eles estão chantageando o país.



