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Dividido, bolsonarismo alagoano tenta sobreviver na fusão PSL-DEM

Fenômeno nas urnas em 2018, o bolsonarismo parecia surgir com forte tendência de crescimento. A um ano das eleições presidenciais, porém, a bolha está murchando e os discursos se tornam mais radicais.

O PSL sabe que não terá o mesmo desempenho nas urnas, na época puxado por Jair Bolsonaro. Fora da legenda, o presidente da República ainda não é filiado a outro partido e é quase impossível voltar ao seu antigo ninho. Pode ir para o PP, do “velho amigo” Arthur Lira.

Para manter o fundo partidário irrigando um PSL antes nanico, ele se fundiu ao DEM que também busca sobrevivência.

ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, é o principal expoente do DEM. Seu objetivo é ganhar as eleições ao Governo da Bahia.

Apesar disso, ACM Neto não é uma expressão nacional, como era o avô, Antônio Carlos Magalhães, mandachuva do então PFL, antes PDS, antes Arena.

Restam aos Democratas o acordo com o PSL. Um abraço de afogados, com uma boia remendada ao redor de ambos.

É com essa lógica que podemos interpretar o União Brasil, em Alagoas, juntando José Thomáz Nonô, do DEM, e Flávio Moreno, do PSL.

Nonô não disputará as eleições em 2022. Pela primeira vez em décadas sua família não tem um sucessor oficial na política. Houve tentativas, em cargos de comissão, com José Thomáz Nonô Bisneto. O jeito foi o retorno ao mundo dos negócios.

Flávio Moreno também acumula perdas na política. Mesmo repetindo o nome de Bolsonaro em 2018, ficou em quinto lugar na disputa ao Senado, com votação expressiva: 142.757 votos, a maioria deles na capital, credenciando-o para disputar uma vaga na Câmara de Maceió. Usou a mesma estratégia nas eleições do ano passado: repetir o nome de Bolsonaro. Obteve apenas 3.585 votos.

Moreno se lançou sozinho na disputa ao Senado. Estará, de fato, sozinho. Seu novo partido não arriscará apoio a quem tem o carimbo de “poca urna”.

O União Brasil deve estar fechado em torno do nome ao Governo, que pode ser o presidente da Assembleia, Marcelo Victor (SD). Atraí-lo pode significar mais adesões e bases pelo interior.

Nonô e Marcelo Victor não são bolsonaristas e isso significa bastante. Os dois não carregam bandeiras presidenciais, seguem os próprios interesses. Assim é a política. O presidente da República tem um eleitorado fiel e isso interessa o União Brasil, o que pode ajudar na votação de nomes para a Câmara dos Deputados e Assembleia.

Jogo sendo jogado.

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