Coisas que passam despercebidas podem falar muito sobre o presente instante. E a neurociência mostra que não é obsoleta, mas é pouco ouvida pelo mundo.
O que está sendo criado neste tempo, será um exército de não-pensantes?
Um tipo comum de gente zumbizada se divertindo com vídeos curtos, conteúdos inúteis, sem encarar o que lhe exige atenção ou desagrada, levou a debates sobre o futuro do cérebro da pessoa pobre.
Parece chocante? Todos acreditam que o efeito “celular” afeta de igual maneira todas as classes?
Mas também se prevê que isso não seja verdade, pois as classes abastadas seguem oferecendo conteúdos instigantes e livros para os seus rebentos garantirem um desenvolvimento neurológico e cognitivo considerado bom ou ótimo.
O brasileiro médio já foi convencido que não precisava discutir futebol, religião e política. O resultado disso estamos vendo bem rente ao rosto: uma nação despolitizada, comovida, que não problematiza com maturidade sobre questões que lhe dizem respeito coletivo, social, cultural e muitas vezes, até individual.
O avanço das bigtechs como coordenadora das vidas e dos lares, alcança a casa da família trabalhadora, oferecendo lazer via tela, onde se pode passar o que parece sério, exigente ou desagradável, e entre estes, estão os conteúdos com teor político, cultural, sociológico ou filosófico.
Passar rápido, jogando para longe dos olhos o que exige atenção, foco e análise, irá transformando estes cérebros em incapazes de pensar, assim pensam neurocientistas que puxam esse debate.
Você concorda?
O ponto crucial paira sobre as classes empobrecidas.
Voltando o olhar para o currículo brasileiro, por exemplo, os conteúdos referentes a disciplinas que puxam pelo pensamento estão cada vez mais deixados de lado, convidando o aluno a um ativismo mais envolvente, onde é permitido galgar pelos anos escolares com desempenhos menos pensantes.
O alvo é o pensamento. O desmantelamento da capacidade cognitiva através de vícios de convívio eletrônico.
Nos adaptaremos a isso ou estaremos a lutar em vão contra isso?
Aqui também não temos respostas, mas como somos pensantes, problematizamos e elencamos desafios.
A entrada e a saída sempre serão política.





