Quando o primeiro bar, na parte de Maceió, no mês de abril, aceitou receber os agentes da lei seca, o tenente Emanuel Costa pôs a mão na cabeça: “E agora? Como as pessoas vão reagir?”
Era cena comum fiscais de trânsito nas ruas fazendo o bafômetro ou abordando veículos orientando motoristas.
Mas, e em um lugar fechado, onde as pessoas consumiam bebida alcoolica, a maior vilã dos acidentes de trânsito?
“Fomos autorizados pela direção do bar. Então, nós chegamos, o show parou, houve aquela tensão das pessoas. Aí foi informado que era uma ação educativa. Conversamos com as pessoas, perguntamos quem queria soprar o bafômetro. Para minha surpresa, muita gente quis fazer o teste. A maioria dava zero. Aí ganhava uma camisa com o título de “Amigo da Vez”. Saímos aplaudidos de lá”, disse o tenente, coordenador estadual da Lei Seca.
Aos poucos, os donos ou gerentes dos bares é quem entravam em contato com os agentes de trânsito. E a presença do Batalhão de Trânsito virou um espetáculo à parte: eles entram no bar, uma banda que toca na hora suspende o show. Daí os agentes sobem ao palco. Levam casos reais de pessoas que foram vítimas de acidentes de trânsito envolvendo motoristas bêbados. Vem a hora do bafômetro, os brindes.
“Com isso cresceu a conscientização. Nossas ações no trânsito continuam. Quando paramos alguns carros, a pessoa abordada diz assim: ‘Olha, eu estava em tal bar, vocês estavam lá. Eu sou Amigo da Vez'”, disse o tenente.
Dois bares agendaram o encontro com o Bptran até domingo, na Semana Nacional do Trânsito. Um shopping em Arapiraca pediu um espaço na agenda. E eles vão estar lá no dia 23, das 20 às 22 horas.
Números da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, por ano, 1,2 milhão de pessoas morrem no mundo vítimas de acidentes de trânsito. No Brasil, são 40 mil em média- maior quantidade no planeta.
E, apesar de algumas histórias engraçadas, motoristas ainda insistem em beber e dirigir.
“Paramos uma senhora há três meses. Ela recusou fazer o bafômetro e percebemos que ela tinha consumido bebida alcoolica. A história que ela nos contou: não bebia, só gostava de comer bombom nas festas. Bombons com licor. Perguntei quantos bombons ela tinha comido. “Vinte”, ela respondeu. Do jeito que ela estava era impossível”.
Só mulher?
“Não, não. Paramos um homem, ele recusou o bafômetro. Observamos que ele tinha bebido. Perguntamos a ele, ele disse que tinha tomado um copinho de cerveja há 12 horas. Então eu disse: ‘Faça o teste então, não vai acusar’. Ele saiu-se com essa: ‘Não, não. Eu me garanto. Mas, sabe como é, não é?”.






