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Discurso de ódio e homofobia em assembleias sem Deus

Não é do nosso feitio a resposta ressentida, o estalar de galhos secos das brigas que espalham desequilíbrio, mas é da nossa alçada analisar fenômenos sociais. Refletimos sobre atitudes e ideologias, que são fontes de propulsão das ações, sejam boas ou más em efeitos coletivos/individuais.

O caso do pastor norte-americano, que participando de um congresso evangélico em Brasília, no dia 19 de fevereiro, deu um espetáculo homofóbico/transfóbico com afetação a toda comunidade LGBTQIA+ e a todos nós que somos parentes e amigos de pessoas enquadradas por ele, merece análise, além de repúdio.

Em termos convencionais, formais, civis, ele cometeu crime equiparado ao de racismo.

Por este motivo está sendo investigado pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação. O inquérito foi aberto pela Polícia Civil do DF, embora há quem diga que o evento foi apoiado pelo governo distrital, o que gera certo desânimo em quem está acostumado a ver casos como este “não dá em nada”.

Seguimos espreitando resultados, lembrando que a lei brasileira tem ritmo próprio de acordo com as intencionalidades dos casos.

Mas paramos aqui para refletir o âmago. Quem observou o vídeo que circula pela internet, que por sua vez foi publicado pela União das Mocidades das Assembleias de Deus de Brasília, sabe que nos referimos ao teor indutivo do discurso de ódio.

Não foi mascarado, foi explícito.

O pastor vociferava contra LGBTQIA+, dizendo que cada categoria tem um lugar reservado no inferno.

O que é isso, além de palavreado? Isso é determinação de valor, de validação, de território permitido ou negado no tablado comum da história.

A demonização da sexualidade não padronizada, o grito da destruição dos direitos sendo levantado publicamente sob o selo religiosista.

Não pode ser normalizado.

É indutor de violências, na mesma proporção de violência que contém.

O pastor David Eldridge cometeu grave crime com esse discurso e os efeitos disso se tornam imprevisíveis na sequência dos dias.

Qualquer indivíduo que se reveste de autoridade religiosa e dissemina ódio não pode ser considerado apenas portador de opinião pessoal, haja vista a carga de indução semeada.

Sobre Deus nestas assembleias…nem vem ao caso, Ele tem sido impedido de entrar nelas.

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